Brasileiro de Star vai ser sediado em Cabo Frio

Entre os dias 15 e 18 de setembro será realizado em Cabo Frio mais uma edição do Campeonato Brasileiro da Classe Star. Há previsão da participação de um bom número de barcos, representando as flotilhas do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Esta é uma oportunidade especial de velejar desfrutando de umas das áreas de regata mais técnicas do Brasil.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas por e-mail (vela@icrj.com.br), no site do ICRJ (http://www.icrj.com.br/site/vela_men.html), inscrição online (http://www.icrj.com.br/site/inscricao-em-regatas.html) ou na secretaria do evento, até o dia 15/09, e custam R$ 200,00 (Duzentos Reais) por barco. Para maiores informações confira o AR.

 

Brasil vence Hemisfério de Star na Croácia

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Terminou neste domingo na Croácia o Hemisfério da classe Star. E o Brasil mais uma vez provou que é bom de proeiro e o gaúcho-carioca Henry Boening Maguila ficou com a medalha dourada ao lado do americano Augie Diaz. Os dois venceram duas das sete regatas disputadas e abriram 11 pontos sobre os croatas Tonci Stipanovic e Kujundzic. Augie é o atual campeão mundial, ao lado do proeiro brasileiro Bruno Prada.

França leva o título do Grand Slam da SSL; Brasil para na semi

Xavier Rohart e Pierre-Alexis Ponsot são os campeões do inédito City Grand Slam da Star Sailors League (SSL). Além de 3.000 pontos no ranking da SSL, faturam 25.000 dos 100.000 mil dólares da premiação geral. Superaram intensa batalha entre 86 tripulações em cinco dias de regatas no Lago Alster. Os percursos barla-sota (formados por duas boias) proporcionaram disputas barco a barco, levando emoção a cerca de 100.000 pessoas que se espalharam às margens do lago ao longo da competição, transformando-o em arena da vela.

As 14 regatas tiveram audiência de mais de 80.000 internautas que tiveram o privilégio de acompanhar as emoções ao vivo em todo o mundo. A estrutura do Norddeutscher Regatta Verein, clube anfitrião, foi considerada excelente tanto pelos velejadores quanto pela organização, promovendo um ambiente de rivalidade saudável e de confraternização entre os participantes. Os associados vibraram com o hino francês e o champagne da vitória para a dupla “azul”.

“Posso dizer que foi ótimo, porque sabia que seria muito difícil”, comentou o campeão Xavier Rohart. “Neste formato, em cada flotilha você nunca sabe se será o primeiro ou o último. Na final, depois de uma grande largada, pensei: esta é a nossa chance. Estávamos sob pressão, mas conseguimos um bom ângulo e mantivemos a liderança até a linha de chegada”, relatou Rohart que elogiou seu proeiro. “Estávamos treinando juntos para os Jogos de Londres, mas os resultados estão aparecendo mais recentemente. Foi especial vencer com o Ponsot”.

A segunda colocação ficou com o norueguês Elvind Melleby e com o norte-americano Josh Revkin, que somaram 2.764 pontos no ranking da Os SSL e receberam 15.000 dólares. Mateusz Kusznierewicz e Dominik Zycki, da Polônia, foram os terceiros colocados, com 2.528 pontos, mais 10.000 dólares. Os italianos Negri e Lambertenghi ficaram em quarto, recebendo 2.292 pontos e 8.000 dólares. O ranking da SSL será atualizado na próxima semana. Os mais bem colocados disputarão a SSL Finals no final do ano nas Bahamas.

Bordo a bordo – O último dia do City Grand Slam de Hamburgo começou com 30 tripulações na quinta e última regata da segunda fase para definir dez barcos para as quartas de final. Negri e Lambertenghi venceram, garantindo passagem direta para a final, enquanto Kuznierewicz e Zycki, segundos colocados, avançaram à semifinal. Ambas as duplas ganharam um descanso extra como prêmio.

Oito equipes partiram para as quartas de final, valendo cinco vagas para a semifinal. Torben e Stefano venceram com sobra depois de manobra ousada que os levou para o lado esquerdo da raia. Melleby e Revkin ficaram em segundo, Rohart e Ponsot, em terceiro. Foram eliminados: os vencedores do Lake Grand Slam da Suíça, Szabo e Ducommon, a dupla local, Koch e Witt e os norte-americanos Doyle e Infelise.

Após o descanso, Kusznierewicz e Zycki retornaram à raia para a batalha a semifinal, marcada por constante alternância de posições em cada perna da prova. Torben e Stefano foram penalizados por “sujarem” o vento de Rohart e Ponsot próximo ao “gate” de sotavento. Os campeões mundiais de Star, Augie e Bruno, lutaram até o final, mas ficaram para trás, assim como os alemães Polgar e Koy, que ainda foram penalizados. Kusznierewicz e Zycki ganharam a semifinal, seguidos por Rohart e Ponsot, com Melleby & Revkin em terceiro.

Iniciada a regata final, Rohart e Ponsot partiram para o ataque, com uma largada mais agressiva, enquanto Negri e Lambertenghi, que acabavam de retornar à disputa, largaram mais no meio da linha, ao lado de Kusznierewicz e Zycki e de Melleby e Revkin, todos em velocidade acelerada junto ao barco da Comissão de Regatas. Uma inesperada rajada de 20 nós impulsionou ainda mais os quatro barcos. Rohart e Ponsot conseguiram distância segura em relação aos adversários e cruzaram a chegada com uma brisa de popa, garantindo a vitória no primeiro SSL City Grand Slam.

Brasileiros chegam até a semifinal – A penúltima regata do City Grand Slam de Hamburgo acabou com a esperança de título para Torben Grael e Bruno Prada, que encerraram a competição em sétimo e sexto lugares, respectivamente. Torben e Stefano Lillia (ITA) foram penalizados por interferirem no rumo do francês Xavier Rohart. Bruno e Augie Diaz sentiram o desgaste do Mundial conquistado há menos de um mês. Os estreantes Francisco Siemsen e Arthur Lopes terminaram em 16º lugar.

“O sexto lugar confirma nossa média no campeonato, mas o dia de hoje (sábado) foi cruel. Velejamos mal, tomamos decisões erradas e ainda sentimos fisicamente. O Augie (62) é o mais idoso entre os dez finalistas. Isso acaba pesando”, avaliou Bruno, tetracampeão mundial de Star e duas vezes medalhista olímpico na mesma classe.

Torben venceu as quartas de final e parecia pronto para chegar à decisão. Na semifinal, uma penalidade interpretada pelos juízes como interferência ilegal no rumo do adversário, fez com o brasileiro tivesse de “pagar” uma volta de 360 graus em torno do eixo do próprio barco. Situação irrecuperável em uma regata de apenas 35 minutos. “O francês (Xavier) se aproveitou para forçar a situação. É justo, mas eticamente não esperava essa atitude dele. Valeu disputar uma competição tão bem organizada”.

O próximo evento da Star Sailors League será a Final SSL, o encontro literal das estrelas da vela, levando a Nassau, nas Bahamas as duplas mais bem ranqueadas da temporada. O torneio de 250 mil dólares está previsto para novembro. Para resultados completos, histórias, fotos e vídeos, acesse o site oficial do SSL City Grand Slam:http://city.starsailors.com

Fonte: SSL

Grand Slam da SSL: Título será definido neste sábado

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O sábado (7) será intenso para as dez duplas mais bem classificadas no inédito City Grand Slam de Hamburgo, Alemanha. A competição começou com 86 barcos e restarão apenas dez para as quartas de final. Torben Grael, Bruno Prada e seus respectivos parceiros estão praticamente garantidos, mas ainda haverá a quinta e última regata da segunda fase, disputada por 30 tripulações. Kuznierewicz e Zycki (POL) lideram, seguidos por Negri e Lambertenghi (ITA), ambos com 20,5 pontos perdidos.

Bruno e Augie Diaz (EUA) venceram a primeira das quatro provas, adquirindo condição confortável. “Podemos até nos poupar na quinta regata para evitarmos o desgaste de um percurso que é rajada e manobra o tempo todo. A partir das quartas de final zera tudo e o que vier é lucro”, considera Bruno. A dupla ocupa a quinta colocação, com 34 pontos perdidos. A premiação geral é de 100 mil dólares e os vencedores somam 3.000 pontos no ranking da SSL.

Torben e Stefano Lillia (ITA) chegaram em segundo lugar na segunda regata e também já pensam nas eliminatórias. “Agora é só não errar, apesar de que em regata curta é fácil errar. Veja os italianos e os poloneses, estão muito regulares”, aponta Torben, sexto colocado com 37 pontos perdidos. Francisco Siemsen e Arthur Lopes (Chicão e Tutu) estão em 15º lugar. A partir das quartas de final os pontos são zerados.

Briga apertada pela sobrevivência no City Grand Slam – O brilho do sol e o vento leste de 12 nós (22km/h) proporcionaram regatas clássicas no Lago Alster para ao 30 barcos que ainda podem ganhar o inédito SSL City Grand Slam, com premiação geral de cem mil dólares. Em provas de apenas 35 minutos, com pernas de 600 metros, o segredo é achar o “caminho limpo”. Em atitude inovadora, a Comissão de Regatas do Norddeutscher Regatta Verein (NRV) criou um “gate” superior permitindo a opção de contorno entre duas boias.

Exceto protestos, as seis primeiras duplas na classificação geral estão garantidas na fase eliminatória independentemente da quinta regata. Os mais regulares do dia foram os italianos Diego Negri e Sergio Lambertenghi, com três segundos e um terceiro lugares, compartilhando assim, a liderança com Mateusz Kusznierewicz e Dominik Zycki (POL).

A dupla polonesa teve um dia difícil. Na primeira regata, Kusznierewicz e Zycki foram marcados no contorno da boia após primeira perna de popa, mas conseguiram se recuperar e terminaram em terceiro lugar. Na segunda prova com muito esforço repetiram a colocação, mas após a terceira largada veio o resultado inesperado, um 23º lugar que acabou sendo adotado como descarte. A séria foi concluída com a oitava colocação. O vencedor da segunda fase passa diretamente para a final, enquanto o segundo colocado avança à semifinal.

Regata 1 – Os recentes campeões mundiais de Star, Augie Diaz e Bruno Prada venceram a primeira regata do dia. O momento-chave veio no primeiro “gate” superior, quando a dupla optou pela boia da direita, ao contrário do rumo escolhido pela maior parte da flotilha. Negri e Lambertenghi ficaram em segundo lugar, Kusznierewicz e Zycki em terceiro. Vários dos melhores no ranking da SSL não ficaram entre os dez primeiros: Xavier Rohart e Pierre-Alexis Ponsot (19), Eric Doyle e Payson Infelise (21) e Robert Stanjek e Frithjof Kleen (23).

Regata 2 – Os alemães Stanjek e Kleen largaram decididos a brigar pela vitória na segunda prova do dia, buscando recuperar posição entre os dez mais bem colocados e evitando assim, a zona de corte. Negri e Lambertenghi obtiveram mais um segundo lugar, contando com excelente largada e velejando sempre entre os três primeiros. Kusznierewicz e Zycki ficaram em terceiro, o que lhes manteve na liderança geral.

Melleby (NOR) e Revkin (EUA) não conseguiram terminar a prova devido à quebra de um dos cabos que sustentam o mastro. A dupla retornou rapidamente ao clube anfitrião NRV e emprestaram o barco do associado Olaf Richter, que os atendeu gentilmente. A ação emergencial permitiu que corressem a terceira regata e ainda fizessem um milagroso sexto lugar. Os norte-americanos Lawrence e Coleman, envolvidos em acidente, adotaram o mesmo procedimento e ficaram em oitavo lugar.

Regata 3 – Com rajadas de 15 nós, ofereceu a condição mais extrema desde o início do City Grand Slam. Melleby e Revkin estavam de volta à raia e ainda contaram com a sorte para finalizar a preparação do barco emprestado. Muitos barcos largaram escapados e a Comissão de Regatas sinalizou chamada geral. Sob Bandeira preta, Polgar e Koy largaram muito bem, assim como Torben e Stefano. Os franceses Xavier Rohart e Pierre-Alexis Ponsot assumiram a liderança na segunda metade da regata e assim permaneceram até cruzar a linha de chegada.

Regata 4 – A dupla Eric Doyle e Payson Infelise ousou imprimir ritmo agressivo para vencer a última regata do dia e recolocar o barco norte-americano com chances de classificação na quinta prova da segunda fase. A vitória rendeu um suspiro a Doyle e Infelise, com a décima colocação geral, limite da nota de corte para as quartas de final. Negri e Lambertenghi obtiveram brilhante segundo lugar, com Polgar e Koy em terceiro. O City Grand Slam terá seu último dia em Hamburgo neste sábado (7), com a regata final da segunda fase às 11h30 (6h30 de Brasília). Apenas os dez melhores seguem para as provas eliminatórias: quartas de final (9h25), semifinal (10h15) e final (10h55).

As quatro regatas serão transmitidas ao vivo pela internet, com comentários de especialistas e convidados no estúdio, como o tetracampeão da America’s Cup, Dennis Conner. Na água, as imagens são produzidas com a mais alta tecnologia, além do gráfico virtual 3D, proporcionando uma visão emocionante, diferenciada, além da completa telemetria da prova. Para resultados, fotos e vídeos, acesse: http://city.starsailors.com

Fonte: SSL

Grand Slam da SSL:Brasil classifica 100% do time para a próxima fase

A vela brasileira classificou 100% de seus representantes no City Grand Slam de Hamburgo entre as 30 tripulações que iniciam a segunda fase nesta sexta-feira (6) a partir das 6h00 (Brasília) no Lago de Alster, Alemanha. Bruno Prada e Augie Diaz (EUA) passaram em quinto lugar; Torben Grael e Stefano Lillia (ITA), em nono; e a dupla Francisco Siemsen e Arthur Lopes ficou na 14ª colocação. Outros 56 barcos foram eliminados após as seis primeiras regatas da Star Sailors League.

Torben e Bruno tiveram um dia perfeito em suas respectivas flotilhas. Ambos venceram a disputa final da primeira fase, sob condições desafiadoras: vento fraco, em torno de seis nós (10km/h) e rondados, ou seja, variando constantemente de direção. “Conseguimos largar do lado certo da raia e depois acertamos as rondadas. Em regata curta, acertar o primeiro contravento é fundamental”, destacou Torben, com 18 pontos perdidos ao lado de Stefano.

Confiante no bom desempenho, Bruno espera manter nas cinco regatas da segunda fase a regularidade apresentada em Hamburgo até o momento. “O primeiro objetivo já foi superado, agora é mirar as quartas de final. Queremos nos manter entre os cinco primeiros em cada prova”. Bruno e Augie somam 16 pontos perdidos. Os estreantes da SSL, Francisco e Arthur, têm 35 pontos e podem levar certa vantagem emocional. “Conseguimos mais do que esperávamos, nossa pressão é zero, mas vamos brigar pelas quartas”, cravou Arthur.

Regatas curtas, porém inteligentes – O sol brilhou nesta quinta-feira na cidade de Hamburgo, com três milhões de pessoas comemorando o aniversário 827 de seu porto. Milhares de moradores e visitantes transformaram as margens do Lago Alster em arquibancada para assistir ao terceiro dia do SSL City Grand Slam com 86 tripulações divididas em três flotilhas. Um show espetacular em duas versões: contravento e vento em popa. As boias do percurso estavam praticamente dentro dos parques lotados por fãs da vela.

Depois das largadas atrasadas devido ao vento indefinido, a Comissão de Regatas do clube anfitrião, Norddeutscher Regatta Verein (NRV) aproveitou uma brisa de leste para montar a raia, com cada perna medindo apenas 600 metros, o que exigiu manobras constantes dos velejadores e instinto apurado para escolher o rumo correto.

Na primeira flotilha, os italianos Negri e Lambertenghi levaram a melhor após duelo inicial entre campeões mundiais contra os alemães Stanjek e Kleen. Os italianos abriram distância, mas logo passaram a ser perseguidos pelos poloneses Kuznierewicz e Zycki. Com raia limpa à frente, Negri e Lambertenghi mantiveram a ponta para vencer a regata. A disputa pela segunda colocação se tornou acirrada entre alemães e poloneses.

Stanjek e Kleen recusavam-se a permitir a ultrapassagem de Kuznierewicz e Zycki, mas em uma manobra espetacular os poloneses conseguiram “roubar” o vento dos anfitriões quase em cima da linha da chegada e concluíram a prova na segunda colocação para garantir a liderança da primeira fase e o cobiçado troféu Heinz-Nixford. “Estamos muito satisfeitos com o barco e com nosso desempenho”, comentou Dominik Zycki.

“A primeira fase foi muito agradável e sempre mantivemos o controle da embarcação, mas a partir desta sexta-feira, haverá muita pressão entre os 30 primeiros. Não podemos mudar nosso estilo para buscarmos a classificação entre os dez que seguirão às quartas-de-final”, concluiu Zycki. Na segunda flotilha, vitória de Torben Grael, cinco vezes medalhista olímpico, além de campeão da Volvo Ocean Race e Louis Vuitton Cup. Torben contou com o proeiro Stefano Lillia para fazer uma regata perfeita.

Regatas eliminatórias – A forma de disputa da SSL é garantia de emoção. Na primeira fase os 90 barcos foram divididos em flotilhas amarela, azul e vermelha, com seis regatas para cada grupo. Os 30 mais bem classificados iniciam a segunda fase nesta sexta-feira (6), com mais cinco regatas. Os dez primeiros avançam para três regatas eliminatórias: quartas de final, semifinal e final, com oito, seis e quatro barcos, respectivamente, sendo que o vencedor da segunda fase vai direto para a final, enquanto o segundo colocado se garante na semifinal. As regatas decisivas estão previstas para sábado (7/5). A premiação geral é de 100 mil dólares.

As transmissões ao vivo pelo site oficial do evento, city.starsailors.com, terão comentários de especialistas e velejadores convidados no estúdio instalado no clube anfitrião, a partir das 6h00 (Brasília) desta quinta-feira (5). Na água, uma equipe embarcada irá produzir imagens em alta definição, mesclando ilustrações gráficos em 3D às imagens em tempo real, oferecendo assim, a telemetria completa das provas em detalhes como, distância, velocidade e nacionalidade dos barcos.

Fonte: SSL

Grand Slam da SSL: “Somos os azarões”, diz Siemsen em entrevista exclusiva

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Está rolando em Hamburgo, na Alemanha, o terceiro dia de regatas do Grand Slam da Star Sailors League. O Notícias Náuticas bateu um papo exclusivo com Francisco Siemsen, que está velejando ao lado de Arthur Lopes. Os dois disputam juntos o evento pela primeira vez.

Confira o que Francisco está achando da competição:

“As regatas por aqui estão bem difíceis. Vento muito rondado, raia curta, alto nível dos velejadores e lago pequeno para velejar. Na terça-feira tivemos 3 regatas com vento forte, embora inconstante. Na primeira largamos escapado, voltamos mas recuperamos e terminamos em 12. Na segunda e terceira velejamos bem e conseguimos um 6 e um 7. Hoje [quarta-feira] foi um teste de nervos. Vento estava bem fraco, rondado e a raia com muitos buracos. Na primeira regata conseguimos um suado 8. Na segunda lideramos nas primeiras duas pernas, mas o George Zabo (melhor do mundo na merreca segundo o Bruno Prada) nos passou no contravento e acabamos em 2º. Amanhã [quinta-feira] é a última regata da classificatória e esperamos manter o ritmo para chegar bem na segunda fase. Mas somos os azarões. Vamos focar na velejada e, quem sabe, dar um pouco de trabalho para as estrelas.”

Grand Slam da SSL: Brasileiros se aproximam da segunda fase

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Os quatro brasileiros no City Grand Slam de Hamburgo (ALE) obtiveram bons resultados nas duas regatas desta quarta-feira (4) no Lago de Alster pela Star Sailors League (SSL). Bruno Prada e o norte-americano Augie Diaz somaram terceiro e sétimo Lugares. A dupla Francisco Siemsen e Arthur Lopes (Tutu) conquistou segunda e oitava colocações, enquanto Torben Grael, ao lado do italiano Stefano Lillia, recebeu bandeira preta por queimar a largada, mas se recuperou com um quinto lugar na segunda prova.

Concluídas cinco regatas, a liderança é dos poloneses Kuznierewicz e Zycki, com 4,5 pontos perdidos, apenas meio ponto de vantagem sobre Melleby e Revkin, da Noruega. Lawrence e Coleman (EUA) estão em terceiro com sete pontos. Szabo (EUA) e Ducommun (SUI) foram os únicos a vencer duas regatas do dia. Resta apenas uma prova para o encerramento da primeira fase, que selecionará 30 das 90 tripulações para mais cinco regatas na segunda fase. O descarte do pior resultado passou a ser considerado a partir da quarta prova. Os pontos da primeira fase serão levados para a segunda e zeram nas quartas de final, com regatas eliminatórias.

“As duas regatas de hoje (quarta) foram muito difíceis porque não havia pressão do vento para segurar os barcos de forma mais consistente no rumo correto. Ontem com o vento mais forte a prova foi mais desgastante, mas nosso desempenho foi superior. O importante agora é passar de fase”, avaliou o cubano naturalizado americano, Augie Diaz, timoneiro do barco de Bruno, com 15 pontos perdidos, já descartado um oitavo lugar. A dupla ocupa a nona colocação geral. Com previsão de mais um dia de vento fraco, haverá apenas uma regata para cada flotilha nesta quinta (5), complementando a primeira fase, a partir de meio-dia (7h00 de Brasília).

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Brasileiros estreiam bem no Grand Slam da SSL

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Frio, vento rondado, rajadas fortes e uma raia com dimensões muito curtas impuseram os desafios do 1º City Grand Slam no Lago de Alster, em Hamburgo nesta terça-feira (3), abertura da competição da Star Sailors League. Com 90 tripulações divididas em três flotilhas, Torben Grael, ao lado do italiano Stefano Lillia encerrou o dia em sexto lugar na classificação geral. Bruno Prada, com o norte-americano Augie Diaz, é o sétimo colocado. Os noruegueses Melleby e Revkin lideram com três pontos perdidos, meio ponto à frente dos poloneses Kuznierevicz e Zycki.

O percurso das nove regatas, três para cada flotilha, não passou de quatro milhas (7km) divididas em até oito pernas, com duração média de 35 minutos, o que exigiu dos velejadores intenso esforço físico pela intensidade das manobras. “As regatas foram totalmente físicas. Muita manobra, mas foi a melhor das três séries porque o vento apertou, com rajadas acima de 15 nós (cerca de 30 km/h). Na última, ganharíamos se não tivesse quebrado a alça da escota (que ajuda a sustentar a vela mestra). Fizemos uma gambiarra e ainda chegamos em oitavo lugar”, analisou Bruno que antes obteve segundo e terceiro lugares.

Bruno e Augie somam 13 pontos perdidos, um a mais do que Torben e Stefano, três vezes quartos colocados. No momento em que o vento apertou, o bicampeão olímpico teve de segurar o barco e o proeiro. “O Stefano não está em ritmo de regata. Três provas curtas com vento forte no mesmo dia, quebraram o cara. Tive de dar uma segurada, mas foi bom. Começar bem sempre tira um pouco da pressão”, afirmou Torben. Os brasileiros correram o primeiro na flotilha azul. Mais três regatas complementam a primeira fase. A partir da quarta, considera-se o descarte do pior resultado.

A dupla brasileira Francisco Simsen e Arthur Lopes (Tutu) também estreou alcançando a perspectiva de ficar entre as 30 mais bem colocadas e passar para a segunda fase. Estão em 19º lugar na classificação geral, com 25 pontos perdidos (12+6+7). “Estamos correndo pela primeira vez juntos na Star. Não devemos ser audaciosos e estabelecer uma meta, mas sabemos que o barco está rápido e por isso lutaremos para chegar à próxima fase”, argumentou Francisco consciente das dificuldades.

A partir do meio da tarde o sol surgiu entre nuvens e amenizou o frio, mas as primeiras regatas do dia tiveram condições severas de tempo para a flotilha amarela, com temperatura abaixo de 10ºC, garoa e vento noroeste por volta de 12 nós (22km/h). A dupla norte-americana Lawrence e Coleman também manteve a regularidade e ocupa a terceira posição geral com cinco pontos perdidos Os alemães Stanjek e Kleen, atuais campeões da Bacardi Cup estão em oitavo lugar.

O francês Xavier Rohart, bronze olímpico na Star nos Jogos de Atenas, venceu a segunda regata ao lado de Pierre Ponsot e ocupa a nona posição. Apesar da raia com dimensões reduzidas, elogiou a regata. “É necessário largar forte e depois administrar a prova sem se envolver em confusão para não ficar preso em meio à flotilha. É tudo muito rápido e não há tempo para indecisões. Tem de definir o rumo e seguir em frente”, considerou o presidente da SSL. A previsão para esta quarta (4) é de ventos mais fracos em Hamburgo. A primeira largada está prevista para às 10h00 (local), cinco horas à frente do fuso de Brasília.

Regatas eliminatórias – A forma de disputa da SSL é garantia de emoção. Na primeira fase os 80 barcos serão divididos em flotilhas amarela, azul e vermelha, com previsão de seis regatas para cada grupo. Os 30 mais bem classificados seguem para a segunda fase, com mais cinco regatas. Os dez primeiros avançam para três regatas eliminatórias: quartas de final, semifinal e final, com oito, seis e quatro barcos, respectivamente, sendo que o vencedor da segunda fase vai direto para a final, enquanto o segundo colocado se garante na semifinal. As regatas decisivas estão previstas para sábado (7/5).

As transmissões ao vivo pelo site oficial do evento, city.starsailors.com, terão comentários de especialistas e velejadores convidados no estúdio instalado no Norddeutscher Regatta Verein, entre 5h00 e 13h00 (Brasília). Na água, uma equipe embarcada irá produzir imagens em alta definição, mesclando ilustrações gráficos em 3D às imagens em tempo real, oferecendo assim, a telemetria completa das provas em detalhes como, distância, velocidade e nacionalidade dos barcos.

Fonte: SSL

Com transmissão ao vivo, Brasil estreia nesta terça no Grand Slam da SSL

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O inédito City Grand Slam da Star Sailors League (SSL) será um desfile de medalhistas olímpicos e campeões mundiais a partir desta terça-feira (3) no Lago de Alster, no centro da cidade de Hamburgo. Entre as 90 duplas inscritas, o Brasil será um dos 20 países mais bem representados na Alemanha. Torben Grael, com cinco medalhas olímpicas (dois ouros, uma prata e dois bronzes) vai correr com o italiano Stefano Lillia. Bruno Prada (uma prata e um bronze) terá como parceiro o norte-americano Augie Diaz, mesma dupla que acaba de conquistar o Mundial de Star em Miami.

Para o bicampeão olímpico Torben, as condições do lago não permitem que se façam projeções. “A raia é bem estreita por isso não dá pra dizer que existem favoritos. Tem de velejar para se divertir e vamos ver o que acontece”. O tetracampeão mundial de Star, Bruno, segue na mesma linha do amigo Torben. “As regatas serão muito difíceis, desafiadoras. Cada perna não deve medir nem um quilômetro e todo mundo vai chegar junto na boia de contravento. Como haverá três flotilhas, o jeito é tentar manter-se entre os cinco primeiros para passar de fase”, recomenda o velejador do Yacht Club Paulista. “Temos de comer o que põem na mesa”.

O Brasil terá ainda a dupla Francisco Siemsen e Arthur Lopes, o Tutu. Além da Star, ambos trazem experiências da classe Laser e da vela oceânica, mas estreiam em uma competição da SSL em Hamburgo. “O espaço das regatas é menor do que a Raia 1 da Represa Guarapiranga. Em uma raia pequena a largada é o mais importante. Parece que vai ser meio loteria e isso pode ser bom para a gente”, espera Tutu. O City Grand Slam distribui 100 mil dólares em prêmios e os vencedores somam 3.000 pontos no ranking da SSL.

Cerimônia de abertura– A primeira edição do City Grand Slam foi oficialmente aberta nesta segunda-feira (2) na Câmara Municipal de Hamburgo, palácio de estilo barroco e um dos cartões postais da segunda maior cidade da Alemanha, apenas atrás de Berlim. Praticamente os 180 velejadores participaram do evento no edifício histórico e receberam as boas vindas de autoridades políticas e esportivas. As regatas terão início nesta terça-feira às 10h00, horário local, (15h00 de Brasília). A festa de encerramento está prevista para sábado, último dia de regatas, no Museu Marítimo de Hamburgo.

As transmissões ao vivo poderão ser vistas aqui no site Notícias Náuticas e terão comentários de especialistas e velejadores convidados no estúdio instalado no Norddeutscher Regatta Verein. Na água, uma equipe embarcada irá produzir imagens em alta definição, mesclando ilustrações gráficos em 3D às imagens em tempo real, oferecendo assim, a telemetria completa das provas em detalhes como, distância, velocidade e nacionalidade dos barcos.

Regatas eliminatórias – A forma de disputa da SSL é garantia de emoção. Na primeira fase os 80 barcos serão divididos em flotilhas amarela, azul e vermelha, com previsão de seis regatas para cada grupo. Os 30 mais bem classificados seguem para a segunda fase, com mais cinco regatas. Os dez primeiros avançam para três regatas eliminatórias: quartas de final, semifinal e final, com oito, seis e quatro barcos, respectivamente, sendo que o vencedor da segunda fase vai direto para a final, enquanto o segundo colocado se garante na semifinal. As regatas decisivas estão previstas para sábado (7/5).

A Star Sailors League (SSL) foi criada em 2013 por velejadores para atender a necessidade dos velejadores, fortalecendo a classe ainda mais diante da exclusão do programa olímpico. O primeiro grande evento foi a SSL Finals com premiação de 200 mil dólares e vitória de Robert Scheidt e Bruno Prada, em dezembro do mesmo ano em Nassau (BAH). Em 2014, os norte-americanos Mark Mendelblat e Brian Fatih venceram a final mundial. Em 2015, George Szabo e Edoardo Natucci (ITA) foram os campeões no Caribe, após Szabo vencer o primeiro Lake Grand Slam ao lado do do suíço Duccommun, na Suíça.

Fonte: assessoria

Entrevista exclusiva com o campeão mundial Bruno Prada

 

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Durante o feriado de Tiradentes, o Notícias Náuticas foi até Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, conversar com o campeão mundial de Star Bruno Prada. Em um bate-papo de meia hora o medalhista olímpico e melhor velejador do mundo contou como foi conquistar mais este título mundial (o quarto da carreira), como é velejar com Robert Scheidt e o que acha do futuro da vela mundial.

Confira abaixo como foi a conversa:

Notícias Náuticas: Como foi a disputa deste Campeonato Mundial¿

Bruno Prada: O Mundial de Star foi super disputado, com 72 barcos. Mas, como Miami já tem a Bacardi Cup e a Star Winter Series, os brasileiros costumam ir muito para lá. Acho que lá foi o lugar que eu mais velejei fora do Brasil, então conheço muito bem a raia. O Augie também é de lá, mora a dois quarteirões do clube.

Um mês antes tínhamos corrido a Bacardi Cupl, com vento forte, que não é a especialidade do Augie. Ele tem 61 anos de idade, então não dá para brigar com velejadores como o Robert Stanjek, o Diego Negri, que tem em torno de 40 anos. Mas, ainda assim fomos bem, terminamos em terceiro, com um barco novo, que não tivemos tempo de regular.

Quando o evento acabou, pensei que se tivéssemos uns dias de vento fraco no Mundial daria para brigar com estes caras mais novos. E na semana do Mundial deu tudo muito certo. Demos uma certa sorte. Conseguimos fazer bons resultados. Em uma flotilha de 70 barcos é fácil tirar um 15º lugar, por exemplo, e nem é um resultado ruim. Mas começamos com um terceiro e um quarto lugares. De noite, olhando a previsão, vimos que o vento ia diminuir um pouco e no dia seguinte conseguimos ganhar a regata. A partir daí a previsão dizia que o vento só ia diminuir.

No Star você precisa ter um pouquinho de sorte. Precisa estar naquela semana perfeita. Como o Torben. O cara correu 30 mundiais e só ganhou um. Ele é bom. Desde o primeiro mundial que correu sempre foi um dos melhores do mundo. Mas ele teve uma chance. Uma única chance que acabou ganhando.

O campeonato foi muito disputado até o último contravento da última regata. A nossa estratégia era tentar largar melhor do que o Negri e o Labentenghi, que chegaram em primeiro no último dia. Nós tínhamos um descarte melhor e queríamos levar eles para o lado ruim da raia. Estávamos um em 60º e um em 65º. Foi quando o vento deu uma diminuída e quando voltou, voltou do lado que estávamos na raia. Conseguimos recuperar um pouco e fomos de 60º para 25º, o que ainda era péssimo. Depois fomos para 7º e no último contravento chegamos a liderar a regata, com o Negri em segundo e com esse resultado ele ganhava o campeonato. Para baixo de quinto, tínhamos que colocar um barco entre a gente e ele vencia no desempate. No final da regata o vento voltou novamente para onde estávamos e conseguimos vencer.

O Augie está muito feliz! Não dizendo que ele não vá ter outras chances, mas esta ele soube aproveitar. O primeiro mundial dele foi em 1983, ou seja, 33 anos tentando o título. O melhor resultado dele foram dois quartos lugares. Ele soube aproveitar a chance dele. O Negri, por exemplo, já tem dois segundos e um terceiro lugares e ainda não conseguiu aproveitar a chance dele.

NN: Como é velejar com o Augie?

Bruno: Velejo com ele há sete anos. Em 2009 ele me convidou para correr a Bacardi Cup, evento que o Robert nunca quis participar. Cheguei a correr a Miami OCR e toda a Star Winter Series. Então já rola um entrosamento. Fora que tenho um super relacionamento com ele fora d’água. Ele é um cara muito gente boa. Até falo isso para ele, que ele é legal demais, que tem que ser menos gente boa com a galera. Às vezes ele está lá arrumando o barco para um campeonato que começa no dia seguinte, fala que está sem o pau da buja, por exemplo. Ele para o que está fazendo, vai na caixa, empresta… Ele é realmente alguém muito do bem!

NN: Como foi o treinamento para o Mundial?

Bruno: Nós corremos a Bacardi, que é de segunda a sábado e eu cheguei na quinta. Aproveitamos para correr no final de semana a Walker Cup, que foi a final da Winter Series. No Mundial eu cheguei cinco dias antes e levei comigo o Luca Modena, que era meu técnico e do Robert. O barco é novinho e foi entregue um dia antes da Winter Series. Não tivemos tempo de acertar o barco, quer dizer, tivemos que acertar entre uma regata e outra. Conseguimos deixa-lo muito rápido. Em um mundial, terminar todas as regatas entre os cinco melhores, por melhor que você seja, é por que você está rápido. Quando você começa a acertar tudo, não é que você está realmente acertando tudo. É porque está tomando as decisões certas e porque está rápido. Um dos grandes méritos nossos foi deixar o barco rápido.

Além disso fizemos um planejamento muito legal antes, de estudar as correntes. O Luca, antes de cada dia tinha a obrigação de fazer umas cinco ou seis marcações da maré. Não basta seguir a tábua de maré… é preciso saber onde vai mudar, onde começa a encher ou vazar. O Luca conseguiu fazer um trabalho excelente e tínhamos muita confiança nele. Conseguimos mapear a maré e o vento. Já saíamos para velejar confiante no que íamos fazer. Tínhamos um pré-plano, claro que tinha que ajustar na raia, mas este planejamento foi muito bem feito. O conhecimento que temos da raia também ajudou muito.

Temos uma química muito boa dentro d’água também. Velejar em dupla é como um casamento. Você acaba ficando muito amigo do cara e na hora de tomar decisões tem aquele stress normal. Com o Augie rola uma convergência das ideias. Até na hora de regular o barco. Um ponto legal com ele é que ele tem muita confiança em mim. No popa, que eu vou de pé, ele falou: você faz a tática e eu só me preocupo em tocar o barco. Isso me dá muita confiança também.

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NN: É mais fácil velejar com ele ou com o Robert?

Bruno: O ponto forte do Robert é a Intensidade. A primeira regata do campeonato no primeiro cotravento e o último contravento, da última regata, é a mesma intensidade, muito intensa. Está sempre no 100%. O Augie, claro, tem mais de 60 anos e tem os momentos de cansaço, de desconcentração. Gosto de velejar na proa e os dois são grandes velejadores. Então, com certeza, ganhar campeonato com Augie foi uma coisa muito maior do que com o Robert. Quando estou com o Robert, até por conta de tudo o que a gente já fez, é quase que uma obrigação ganhar e com o Augie foi uma grande surpresa. Esperava ir bem no campeonato, mas jamais esperava ganhar o mundial. Acho que nem ele esperava ganhar.

NN: O Augie foi o velejador mais velho a ganhar um mundial de Star…

Bruno: O mais velho da história. Nunca ninguém acima de 60 anos ganhou um Mundial de Star

NN: Na época que você velejava com o Robert, vocês estavam muito preparados, treinando muito. Faltou uma medalha de ouro olímpica para completar a coleção?

Bruno: Faltou. Era do Rio de Janeiro, né… é complicado você ser campeão mundial, primeiro do ranking e não disputar uma olimpíada por problemas políticos. Entramos nas duas medal races das duas olimpíadas que disputamos com chance de medalha de ouro, mas não tivemos um dia bom. Tínhamos concorrentes fortes…

NN: Por que você acha que o Brasil vai tão bem nas regatas de Star. Subimos no pódio em todas as olimpíadas desde 1988, a não ser em Barcelona, 1992

Bruno: Na verdade, a Star é uma das classes mais fortes que tem no Brasil. Mas no final das contas, as medalhas não são fruto de um processo. São frutos de uns malucos… Pega o Torben e o Robert. Das 17 medalhas olímpicas, dez são deles. Nas décadas de 1980 e 1990 tínhamos uma flotilha bem forte. Tinha o Alan Adler, o Gastã Brun, o Dino Pascolato, o Eduardo Souza Ramos… eram vários velejadores de ponta que elevavam o nível da classe. Acho que a entrada do Robert foi a entrada do planejamento, do preparo, da intensidade. É um pouco de tradição. Quando começa a ganhar medalha, vai chamando os velejadores de ponta para vir treinar. As pessoas querem velejar ao lado de medalhistas. E acho que é uma classe que o Robert e o Torben se adaptaram muito bem. O Star é a prova, junto com o salto triplo, que mais trouxe medalhas olímpicas para o Brasil. É uma pena não fazer parte do programa olímpico do Rio. Mas agora não adianta chorar muito.

NN: E qual o próximo evento que você vai participar?

Bruno: Vou para a Alemanha correr o Grand Slam da Star Sailors League (SSL). Vou com o Augie de novo. É um campeonato muito legal, com uma transmissão incrível. A vela sofre de alguns problemas crônicos e um destes problemas é a promoção dos seus heróis, dos seus ídolos. A vela simplesmente não está nem aí para seus ídolos. A World Sailing (ex-ISAF) tem a capacidade de fazer de tudo para não promover o esporte. A vela hoje sofre um problema grave.. quando a vela paraolímpica saiu da olimpíada foi meio que o gato subiu no telhado. E a vela é a próxima, porque, a olimpíada é um negócio. É como televisão, se não dá audiência, sai do ar. E a vela está entre os três piores esportes de audiência. Por que? Porque nada é feito. Fora as finais olímpicas, não tem transmissão de Copa do Mundo, Mundial…A SSL está fazendo isso. As regatas são legais. Eles promovem o esporte.

Então, qual o segredo para transformar a vela? Promover seus ídolos, seus heróis. Depois, parar de mudar o esporte. Se você for ver os últimos dez anos, os caras mutilaram o esporte. Diminuíram as regatas, inventaram as medal races. Em 2013 corri seis campeonatos com seis sistemas de pontuação diferentes. A SLL tem um formato fácil. Tem os dez primeiros que passam para a final, elimina três, depois elimina mais três e na final, com quatro barcos, o cara que ganhar é o campeão. O público é leigo. Tem que ser fácil. Além disso eles têm gráfico, narrador… dá prazer de assistir.

A vela está no caminho errado, por que eles querem mudar o esporte. Já fui em vários campeonatos, tipo Copa do Mundo, e conversando com as pessoas, com os organizadores, todas reclamavam que estavam sem patrocínio. Mas patrocínio é um negócio. O que você vai dar em troca? O que você está me vendendo? Qual o seu produto? A vela como produto é uma droga. O esporte é muito legal, mas o produto é muito ruim. O problema é que querem vender um produto que não é bom. A SLL aos pouquinhos está revolucionando. Tem prêmio em dinheiro, traz os velejadores bons. São várias coisas que eles estão fazendo direitinho que eu acredito que o Star vá acabar voltando para as Olimpíadas. Ano passado a SSL fez um evento incrível no Museu Olímpico em Lousanne, na Suíça.

Outra coisa que a World Sailing precisa entender é que a Olimpíada não é um balcão de negócio de fabricantes de barco. É um momento que temos para mostrar o esporte da vela para o mundo. E o que é a vela? É regata de flotilha, match race, prancha, skiff, catamarã, barco de quilha. Não adianta colocar Finn e Laser na mesma competição. Ou você escolhe o skiff ou o 470, os dois são muito parecidos.

O formato da SSL é muito legal e se, conseguirem perceber isso, vão entender que este é o formato do futuro.