Santiago Lange (ARG) e Hanna Mills e Saskia Clark (GBR) são eleitos melhores velejadores do mundo

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Os indicados antes da premiação na foto de Alex Saldanha

No dia em que o mundo espera o resultado das eleições americanas, a comunidade náutica aguardou ansiosa o resultado de melhor velejador do mundo de 2016. O Brasil mais uma vez esteve concorrendo com as meninas de ouro Martine Grael e Kahena Kunze, porém, este ano o título feminino ficou com a dupla britânica Hanna Mills e Saskia Clark, da classe 470. As duas foram prata no Mundial de 2015, venceram a etapa final da Copa do Mundo de Vela e, após um amargo 16º lugar no Mundial de 2016, conquistaram o ouro olímpico no Rio 2016.

Entre os homens, o vencedor foi Santiago Lange. Argentino, medalha de ouro na Rio 2016 na classe Nacra 17 ao lado de Cecília Carranza (que também concorreu ao prêmio de melhor do mundo), Lange mostrou ao mundo que a vela não tem idade e não tem limitações. Em 2015 ele tirou um pulmão por conta de um câncer e aos 54 anos provou que está em melhor forma que muito garoto ao disputar a sua sexta olimpíada e conquistar sua terceira medalha (ele tem dois bronzes na Tornado em 2004 e 2008).

O Brasil já conquistou o prêmio quatro vezes com Martine e Kahena em 2014, Torben Grael em 2009 e Robert Scheidt em 2004 e 2001.

 

Nacra 17 não dá medalhas ao Brasil, mas arranca lágrimas com pódio argentino

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Na vela, diferentemente de outros esportes, a rivalidade com a Argentina é sempre deixada de lado, ainda mais quando o argentino no barco é o simpático Santiago Lange, velho conhecido dessas águas de cá. Com 54 anos, Lange chegou aos Jogos do Rio 2016 sem muitas chances de medalha, mas com muitas vitórias, na carreira e na vida.

Santiago só resolveu disputar este ciclo olímpico na Nacra 17 para ficar mais perto dos filhos Yago (28 anos) e Klaus (21 anos) velejadores da classe 49er. Com Cecilia Carranza, de 29 anos, Lange conquistou a vaga olímpica, mas um câncer de pulmão quase o tirou da disputa. Com a doença superada e um só pulmão, Santiago começou a competição com resultados irregulares, fazendo 11º, 2º e 13º lugares no primeiro dia de provas. No segundo dia, mais resultados inconsistentes, 13º, 2º e 12º lugares. Mas, a partir do terceiro dia de regatas, os bons resultados começaram a ficar mais constantes e Lange e Carranza se firmaram nas primeiras colocações chegando à medal race na terceira colocação com chances reais de medalhas. Lange e Carranza velejaram com garra e mesmo chegando na 6ª colocação na regata final, eles garantiram o ouro, deixando para trás as duplas da Austrália e Itália, que terminaram a fase de classificação na frente.

Lange que é dono de duas medalhas de bronze conquistadas na classe Tornado em Atenas-2004 e Pequim-2008 e representou a Argentina em cinco edições de Jogos.

Sem dúvidas foi o pódio mais emocionante da vela. O hino nacional da Argentina arrancou lágrimas de Santiago e do público que aplaudiu muito o velejador. Lágrimas que também rolaram ainda dentro d’água quando os filhos de Lange pularam na água para abraçar o pai e Cecilia logo após a medal race. Foi emocionante e inspirador.

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Pódio: Jason Waterhouse e Lisa Darmanin, da Austrália ficaram com a prata da classe Nacra e Thomas Zajac e Tanja Frank, da Áustria, com o bronze. Os brasileiros Samuel Albrecht e Isabel Swan terminaram na 10ª posição geral.

Fotos World Sailing