Bruno Bethlem e Rodrigo Lins são campeões sul-americanos de Snipe

1º LUGAR.JPG

Depois de três dias de competição chegou ao fim no último sábado (31) o Sul-americano da Classe Snipe 2018. O campeonato reuniu no Clube dos Jangadeiros, em Porto Alegre, mais de 100 atletas da Argentina, Brasil, Cuba, Chile, Guatemala, Peru, Porto Rico e Uruguai. Para o último dia, estavam previstas mais duas regatas que foram canceladas pela inconstância do vento, somando um total de oito regatas disputadas. 

O carioca Bruno Bethlem conquistou o seu segundo título no Sul-americano, o primeiro foi em 2000. “Foi uma semana bastante difícil, com vento fraco e inconstante. A gente fez uma boa preparação e chegamos bem tranquilos. Estávamos há um bom tempo sem vencer no Snipe depois que eu voltei das Olímpiadas, então teve um sabor especial”, diz Bethlem, que em seu longo currículo de vitórias, constam dois títulos mundiais (2009/ 2013), nove brasileiros e Medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos em 2003.

 O título de vice-campeão ficou com uma nova dupla formada no Jangadeiros por Rodrigo Linck Duarte, o Leiteiro, e Lucas Mazim, com uma diferença de sete pontos do 1º lugar. Velejador com duas Olimpíadas no currículo, Atenas (2004) e Pequim (2008), duas vezes campeão brasileiro e vice-campeão mundial, entre outros títulos, Leiteiro comenta a conquista: “Eu e o Lucas (campeão brasileiro em 2017/2018) estamos muito felizes com o resultado. Foi a primeira vez que velejamos juntos e já deu para ver que a gente se acertou bem. Vamos ver se seguimos tendo bons resultados em outros campeonatos e quem sabe vamos competir no Hemisfério, em Buenos Aires”.

O 3° lugar do pódio ficou com o argentino René Hormazabal e Sidney Bloch, da Escola de Vela de Ilhabela. “Foi um campeonato muito difícil para a gente, de alto nível. Chegamos sem expectativas e fizemos uma média boa nos primeiros dias e acabamos com um ótimo resultado”,comenta René.

Em 4º lugar no Open ficou Alexandre Paradeda e Ana Júlia Tenório, dupla campeã no Misto, que representou a Escola de Vela de Ilhabela e garantiu para o Brasil vaga nos Jogos Pan-Americanos de 2019, em Lima. O 5º lugar é do Uruguai, conquistado pelo multicampeão Ricardo Fabini e a sua dupla Florencia Panizari. Relembrando os títulos: Fabini foi campeão mundial em 1989, do Hemisfério Ocidental em 1991, três vezes campeão no Sul-americano e Medalha de Prata no Pan-Americano.

Na categoria Júnior, o 1° lugar é da dupla atual campeã brasileira na categoria, Felipe Rondina e Christian Shaw, do Iate Clube de Brasília. Os vices-campeões são Philipp Rump e Luis Eduardo Pejnovic, do Jangadeiros, e o 3° lugar foi conquistado por Matheus Oliveira e Rafael Carpallo, da Escola de Vela de Ilhabela.

No Feminino, o título são das gêmeas Amanda e Geórgia Rodrigues, também do Jangadeiros, campeãs brasileiras do Snipe na categoria.

Da assessoria

Tira-teima: o que pode na VOR que não pode na Santos – Rio?

No dia 28 de outubro de 2017, além da chegada da primeira perna da Volvo, chegou a nossa tradicional regata Santos-Rio. Vendo as imagens da Volvo, é possível ver várias coisas que são proibidas pelas regras de regata, mas permitidas Volvo Ocean Race.

Você sabe o que é permitido na Volvo, mas não é permitido na Santos-Rio? Confira!

Mais um artigo da coluna Tira- Teima em conjunto com Ricardo Lobato, o Blu, do site regras.com.br.

1. Suspender a regata. É como “pedir altos” no pique pega. O barco com a regata suspensa, depois de informar o comando da regata, pode ligar o motor, atracar e içar o barco. Antes de voltar a regata, deve retomar exatamente ao ponto onde a regata foi suspensa. Se a parada for antes das 12 primeiras horas, o barco não pode retomar a regata em menos de 2 horas. Depois de 12 horas de regata a suspensão deve durar ao menos 12 horas. Próximo a chegada ou na última perna, não é permitido suspender a regata.

2. Uso de outriggers. Conhecidas como “muleta”, elas não podem ser usadas se passarem para fora da borda do barco nas regatas normais (regra 50.3). Mas na Volvo, as muletas são permitidas, desde que colocadas num ponto específico na popa para ajudar a dar ponto nas velas code 0.


As muletas para fora do barco a sotavento não são permitidas nas regatas, somente o pau de spi, mas sempre para barlavento.
Foto: Ainhonha Sanchez / Volvo Ocean Race

3. Lastro móvel. A regra 51 é alterada na Volvo para permitir a movimentação do equipamento não lacrado para melhorar a estabilidade do barco. Na Santos-Rio, por exemplo, não é permitido movimentar as velas não utilizadas para barlavento do barco. Esta manobra é conhecida na gíria da Volvo como sail stack. É umas das tarefas mais desgastantes da regata e as mulheres não são dispensadas desta função. O Volvo 65 também tem dois tanques de agua (um na frente e outro atrás) que podem ser utilizados para equilibrar o barco.


Mulheres do Akzo Nobel fazendo força para posicionar as velas a barlavento!
Foto: Conrad Frost / Volvo Ocean Race

4. Abandonar o barco. Calma! Ninguém será deixado para trás. A regra 47.2 é alterada para permitir que os convidados (também conhecido como “jumpers”) possam saltar do barco um pouco depois da largada. Mas, tanto na Santos- Rio quanto na Volvo, não é permitido deixar nenhum tripulante para trás. Mesmo em situações extremas, onde é difícil resgatar alguém com vida, não vale falar coisas do tipo “ele preferiria que continuássemos a regata!”. Nunca um barco pode seguir a regata sem um de seus tripulantes.


Foto: @Turn the tide on Plastic

5. Lixo na água. Esta parece até piada, mas a regra 55 é alterada na Volvo para permitir que as lanzinhas que amarram o balão para facilitar a sua subida possam cair na água. Restos de comida também podem ser jogados no mar. Quero saber se o barco ecológicoTurn the Plastic On está jogando os elásticos e lanzinhas no oceano!

Será que algumas destas inovações não seriam também bem-vindas nas nossas regatas oceânicas como Recife-Fernando de Noronha ou Santos-Rio?

Tira-teima: Entendendo as novidades nas regras da Volvo Ocean Race 2017-2018

 

Na coluna Tira-Teima desta semana, Ricardo Lobato explica as regras da Volvo Ocean Race 2017-18. Confira:

A Regata Volta ao Mundo vai largar neste domingo dia 22 de outubro. Está na hora de entender o que vai acontecer. Temos 3 grandes novidades nas regras da VOR para a regata 2017-2018. A primeira é a nova configuração de tripulantes que incentivou a inclusão de tripulantes femininas. A segunda novidade é um novo sistema de pontuação com pontos ganhos ao invés de pontos perdidos e valorizando as pernas nos Mares do Sul além de prever alguns bônus. A última novidade é o percurso retornou às origens com mais tempo nos mares do sul.

Os barcos continuam os mesmos Volvos 65 da última edição. Eles foram reformados para esta regata e somente um novo barco, AkzonNobel, construído.

Tripulação:

Nesta edição, uma tripulação inteiramente masculina só pode ter 7 tripulantes contra 8 na edição anterior. A novidade é que é permitido levar até mais duas mulheres, em adição a estes 7 homens, num total de 9 tripulantes. Esta será a configuração de todas as equipes com a exceção do Turn The Tide on Plastic que pretende correr com 5 homens e cinco mulheres. Para levar o barco é necessário pelo menos três no deck: O timoneiro, o grinder e o trimer. Os turnos são de quatro horas e normalmente quem está entrando começa no grinder para aquecer antes de ir para o leme ou trimar as velas. O navegador e o comandante não têm turno fixo. Obviamente, em qualquer manobra ou troca de vela a tripulação toda sobe. Continuar lendo “Tira-teima: Entendendo as novidades nas regras da Volvo Ocean Race 2017-2018”

Tira-Teima: Mundial de J/70

Esta é nova coluna Tira-Teima realizada em conjunto com o site regras.com.br e noticiasnauticas.com.br. O objetivo é esclarecer situação reais de eventos recentes ou casos históricos.Para estrear iremos analisar a largada da 4ª regata do Mundial de J/70, realizado ente mês em Porto Cervo, Itália. O campeonato foi marcado pela exclusão do campeonato de sete barcos que alteraram o bulbo da quilha original do barco. As equipes brasileiras foram muito bem, com destaque para o barco “Arriverdeci”, sétimo geral e “Tô Nessa”, décimo segundo.

Toda a análise foi realizada com base nas imagens ao vivo de um drone, disponibilizadas pela organização da regata. Elas mostram o barco ITA buscando um espaço para partir próximo a extremidade de sotavento da linha de partida. A cada instante, é feita uma análise dos direitos e deveres de cada barco.
Ficou alguma dúvida sobre esta situação? Existe outro caso que gostaria de entender melhor? Entre em contato!
Regras.com.br e Noticias Náuticas