Snipe: Paradeda/Mazin perdem o vice-mundial em protesto; Camaradinha/Leleko são os melhores brasileiros

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Terminou nesta sexta-feira em La Coruña, na Espanha o Mundial da classe Snipe. O Brasil esteve na frente da competição até o penúltimo dia com Mario Tinoco (Camaradinha) e Leleko Muto, quando o vento apertou e os porto-riquenhos Raul Rios e Mac Agnese assumiram a ponta. Neste último dia, no entanto, Xandi Paradeda e Lucas Mazim foram os melhores, encerrando a competição na segunda colocação geral, com os porto-riquenos em primeiro, porém um protesto tirou a dupla brasileira do pódio. Raul/Mac mantiveram o título, com Gustavo e Rafael del Castillo em segundo e Rayco Alvarez e Gonzalo Quintana em terceiro.

Os melhores brasileiros foram Camaradinha/Leleko em quinto, Alexandre Tinoco (Amiguinho)/Victor Perez em sexto e Bruno Bethlem (Bebum)/Leandro Lins em nono. Xandi/Lucas acabaram na 11ª colocação.

“Hoje tivemos duas regatas com vento de 12 a 18 (mais para 18!), com muita onda, condição bem difícil. Os brasileiros foram muito bem, conseguimos colocar todos as 17 duplas na flotilha ouro e o resultado final foi muito bom. Representamos muito bem o Brasil. Felizmente fui o melhor brasileiro e fiquei muito feliz com isso. O campeonato foi muito difícil, nível técnico altíssimo. Liderei por dois dias, mas no final cometi erros que a flotilha não perdoa. Foi um dos campeonatos mais difíceis da história, com muita gente boa, muitos campeões mundiais e fiquei com gostinho de quero mais. No próximo estaremos lá com um time muito bom!”

Resultado parte 1
Resultado parte 2

Atualizado em 11/8 às 16h15

 

ENTREVISTA EXCLUSIVA: MARTINE GRAEL

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A velejadora Martine Grael é daquelas pessoas que não tem como não admirar. Talentosa, carismática, simpática e amante da natureza, tem em seu currículo nada menos que uma medalha de ouro olímpica conquistada na sua primeira participação na competição, no ano passado, no Rio de Janeiro, além de diversos títulos internacionais como o Mundial de 49er FX e a prata no Pan-Americano de Toronto na mesma classe, sempre ao lado da parceira Kahena Kunze.

Mas, na semana passada Martine começou um novo desafio: o de integrar a equipe Akzo Nobel na próxima Volvo Ocean Race. A estreia em competições foi na regata Volta a Ilha de Wight, primeira perna da chamada Leg Zero, que não conta pontos para a volta ao mundo, mas que tem a presença de todos os times e, por isso, serve como um grande teste. Dois dias mais tarde ela disputou a temida Fastnet Race, de 600 milhas náuticas, ficando na quarta colocação. Martine, no entanto não seguiu com o time para as outras duas etapas da Leg Zero (Plymouth até Saint Malo e Saint Malo até Lisboa), pois tinha agendado dois compromissos obrigatórios para a participação na competição.

Confira a entrevista abaixo:

Notícias Náuticas: Por que você não seguiu com a equipe nestas duas pernas?
Martine: Acabei ficando em Plymouth para fazer um curso médico e um de VHF neste final de semana. Mas, como a flotilha já vai ter partido, vou direto para Barcelona, na Espanha, para pegar o 49erFX e seguir para o Porto, em Portugal, onde disputarei o Mundial da classe ao lado da Kahena.

NN: E como foi a experiência de participar de uma regata como a Fastnet Race a bordo de um VO65?
M: Foi bem cansativa e estressante, com muitos ganhos e perdas de distância. Foi um exemplo de como os próximos nove meses vão ser. Tínhamos os outros os barcos à vista todo o tempo e a velocidade dependia muito do entrosamento da tripulação.

NN: Como está a adaptação para o oceano depois de tanto tempo velejando de monotipo?
M: O começo foi bem difícil, especialmente com as cargas de peso que temos que carregar das velas. Mas o corpo vai acostumando.  O que tenho demorado mais a me adaptar é a falta de sono. Eu geralmente durmo oito horas por dia e nesses barcos tempo de sono é escasso.

NN: O que você achou desta nova regra da Volvo Ocean Race que meio que obriga os times a serem mistos?
M: Acho que vai abrir muitas portas para a vela feminina no mundo todo. Eu não teria tido uma oportunidade melhor.

NN: Muitos dos tripulantes que estão sendo anunciados na VOR não têm experiência com o Oceano. Por que você acha que os times estão investindo nestes velejadores ao invés de pegar velejadores mais experientes em regatas de oceano?
M: Não me leve a mal, mas os times estão investindo muito nos velejadores mais experientes, mas tem que lembrar que também é uma regata bem dura fisicamente e um pouco de juventude traz a vitalidade necessária. Mas a galera de monotipo que entrou nessa regata tem um peso e tanto: a dupla neozelandesa Peter Burling e Blair Tuke, por exemplo, que estão no Team Brunel e no Mapfre não são velejadores quaisquer. Entendo que tem velejadores que já nasceram no oceano, mas com o velejador você traz a disciplina. O olímpico sempre quer mais, quer a perfeição. E estas regatas são mais duras, mais longas, sim, precisa se acostumar, mas ninguém é bobo. Quando fiz os primeiros treinos eu queria testar. O Peter e o Blair sabem o que podem encontrar pela frente. Sabem que tem o risco de marear e chegar no meio do caminho e pedir pra sair.

NN: E como está sendo a experiência para você?
M: Nunca entendi por que as pessoas ficavam no meio da regata falando “o que eu tô fazendo aqui?” Quando você chega em terra, não lembra o que passou? Só que isso aconteceu comigo. Estava na água pensando “Que que eu to fazendo? Estou muito cansada, fazendo uma mega força” Não estávamos ganhando, mas agora estou aqui em Plymouth pensando “caramba, queria muito estar naquele barco!”. Estou seguindo a regata, com saudade de velejar.. então, realmente não dá pra explicar!

Boa sorte, Martine! Nós e o Brasil inteiro estaremos torcendo por você e te esperando em Itajaí de braços abertos!

 

Volvo Ocean Race: Mapfre vence terceira etapa da Leg Zero

Os espanhóis do Mapfre venceram a terceira etapa da Leg Zero da Volvo Ocean Race, que pariu de Plymouth, na Inglaterra, rumo a St. Malo, na França. O time comandado por Xabi Fernandez cruzou a linha de chegada às 6h29, horário local, seguido por Team Brunel, às 7h10, e Dongfeng Race Team, às 7h19. O Team Akzo Nobel, que contou com o reforço apenas de Joca Signorini (Martine ficou em Plymouth), foi o quinto a cruzar a linha, às 7h32.

“Foi um excelente resultado e uma excelente regata para nós, do começo ao final. Fizemos boas escolhas indo mais para o mar aberto, pegando mais vento e vencendo a corrente, enquanto víamos os outros times caírem nela. Estou muito satisfeito com o resultado”, disse Xabi.

Martine Grael não participou da etapa:
A velejadora brasileira Martine Grael, que compete pelo Team Akzo Nobel, não participou desta etapa. Após a regata Fastnet Race ela ficou em Plymouth, na Inglaterra, para fazer dois treinamentos obrigatórios para a Volvo Ocean Race: um de rádio vhf e outro médico. De lá ela segue para Barcelona, onde pegará seu 49erFX e seguirá para o Porto, em Portugal, onde disputará o Mundial da classe ao lado de Kahena Kunze.

Leg Zero, Terceira etapa, de Plymouth a Saint-Malo:

  1. MAPFRE elapsed time 0629 UTC
  2. Team Brunel 0710
  3. Dongfeng Race Team 0719
  4. Vestas 11th Hour Racing 0728
  5. Team AkzoNobel 0732
  6. Turn the Tide on Plastic 0835
  7. Sun Hung Kai/Scallywag 0908

Resultado acumulado da Leg Zero após três etapas:

  1. MAPFRE 23 points
  2. Team Brunel 20
  3. Dongfeng Race Team 19
  4. Team AkzoNobel 15
  5. Vestas 11th Hour Racing 12
  6. Turn the Tide on Plastic 9
  7. Sun Hung Kai/Scallywag 7