Gabriel Souza vence a Copa Brasil Estreante de Optimist

A primeira competição nacional ninguém esquece, muito menos o primeiro título. Nesta sexta-feira (6 de janeiro), o velejador do Cabanga Iate Clube de Pernambuco, Gabriel Souza, 13 anos, ratificou sua boa peformance ao longo dos três últimos dias e conquistou com uma atuação irretocável a Copa Brasil Estreante de Optimist, em Vitória/ES. Das seis regatas disputadas, ele venceu cinco terminando a competição com apenas cinco pontos perdidos (PPs). Felipe Berardo/RJ acabou em segundo com 12 PPs e Pedro Cardoso/ES em terceiro com 24 PPs. 

O nível técnico da competição foi bastante elevado. Os jovens velejadores que disputaram sua primeira competição nacional na classe tiveram uma atuação de veteranos. Os ventos na raia do evento estavam na casa dos 20 nós com rajadas de 25 nós. “O desempenho dele foi surpreendente. Apesar de não ter o biotipo ideal para essas condições climáticas, Gabriel conseguiu passar por cima das adversidades com muita determinação, garra e concentração. Velejou como veterano”, analisou Edival Júnior, treinador de vela do Cabanga.

A história de Gabriel Souza na vela é muito recente. Ele começou a velejar há menos de um ano. Apesar da pouca experiência, de estreante ele não tem nada. “É raro você ver um atleta tão determinado como ele, que começou há pouco menos de 12 meses, como estrenate, mas com postura, cabeça e nível de veterano”, complementou Júnior. 

“O Time Cabanga começa 2017 com o pé direito. Essa conquista fortalece ainda mais o trabalho de base e de formação de atletas que a Escolinha de Vela do Cabanga tem, um trabalho direcionado e focado na formação de atletas de alto rendimento. Parabéns a todos que fazem o departamento de vela do Cabanga, em especial, o pequeno Gabriel, que deu um verdadeiro show em Vitória/ES”, comentou o comodoro do Cabanga, Jaime Monteiro Jr..

Nos últimos quatro anos, os velejadores do Cabanga conquistaram três títulos da Copa Estreante – Vinicius Oliveira (2014), Marina da Fonte (2015) e Gabriel Souza (2017). Em 2016, Antônio Roma ficou em terceiro geral e primeiro mirim, e Anita Zirpoli, conquistou o título na infantil feminino. 

BRASILEIRO OPTIMIST

Neste sábado (7), terá início, também em Vitória/ES, o Campeonato Brasileiro da classe. Nesta competição, a flotilha do Cabanga Iate Clube de Pernambuco será representada por Pedro Onias, Marina da Fonte, Anita Zirpoli, Ludmila Lira, Júlio César Avellar, Antônio da Fonte, Júlia Ollivier, Letícia Lira, Roberto Cardoso, Guilherme Sant’Anna, Manoel Carvalho, e Cecília Farias.

Bruno Fontes inicia mais um ciclo olímpico na Copa do Mundo em Miami

Tóquio, 2020! Após ficar de fora das Olimpíadas do Rio-2016, o velejador Bruno Fontes teve o tempo necessário para pensar em sua carreira e avaliar todas as possibilidades. Em pleno vigor físico e velejando muito bem tecnicamente, Bruno, aos 37 anos, parte para seu quinto ciclo olímpico ciente de que ainda tem muito para progredir dentro da classe Laser.

 
Nos últimos quatro anos eu me dediquei bastante, melhorei muito minha parte física e fiz de tudo que podia para chegar ao Rio. No entanto, o fato de eu não ter conseguido a vaga só me serviu de motivação para voltar a treinar ainda mais. Meu principal objetivo na carreira é conquistar uma medalha olímpica e é atrás disso que eu vou em Tóquio”, diz.
 
Representante do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008 e Londres-2012, Bruno Fontes travou um dos principais duelos por uma vaga no Rio contra Robert Scheidt. Dono de cinco medalhas, Robert é considerado o maior atleta olímpico brasileiro de todos os tempos e mesmo aos 43 anos provou que estava em um dos melhores momentos da carreira ao fechar a competição em quarto lugar.
 
O duelo com o Robert serviu para ver que eu posso ser cada vez melhor. O cara tem cinco medalhas olímpicas e aos 43 anos ele ficou muito próximo de mais um pódio. Não é à toa que ele está indo para o seu sétimo ciclo olímpico, agora em um novo desafio, na classe 49er. Acho que a idade é apenas um número, pois me sinto extremamente apto para competir em alto nível contra os garotos da nova geração. O foco será ainda maior, pois é preciso compensar com a experiência, mas sei que ainda posso conquistar muitas coisas”, ressalta.
 
Copa do Mundo de Vela em Miami:
Logo após as Olimpíadas do Rio de Janeiro, Bruno Fontes, que atuou como técnico da delegação de Trinidad e Tobago, voltou a dedicar-se aos treinamentos em Jurerê, pensando no início da temporada 2017. Com o encerramento do período de treinos e o início das competições, Bruno tem pela frente, em Miami, seu primeiro grande evento do ano.
 
“Miami sempre é uma competição muito forte, pois faz parte das etapas da Copa do Mundo de Vela. Eu conheço muito bem a raia de lá e sei que posso conseguir um bom resultado se conseguir encaixar as largadas e acertar nas escolhas táticas. A classe Laser é uma das mais difíceis, pois tem uns 10, 20 caras com chances reais de subir ao pódio. Por isso, é complicado fazer um prognóstico de como será. O que posso garantir é que sei que estou dentro desse “bolo” e vou chegar para brigar por algo maior”, comenta.
 
Desde 2010, Bruno sempre esteve presente na etapa de Miami e durante as sete participações sempre esteve na disputa por título ou Medal Race (confira abaixo a tabela de desempenho). “Eu tenho um histórico de sempre ir bem em Miami, inclusive tenho um pequeno romance com o quinto lugar por lá (risos). Já fui vice-campeão uma vez também e quem sabe eu não consigo repetir esses bons desempenhos para iniciar o ciclo com um resultado satisfatório”, encerra.
 
Desempenho de Bruno Fontes ano a ano em Miami:
 
2010 – 5º lugar
2011 – 5º lugar
2012 – 2º lugar
2013 – 5º lugar
2014 – 5º lugar
2015 – 9º lugar
2016 – 12º lugar 

Circuito de Santa Catarina abre o calendário náutico de Floripa

Confirmado para acontecer entre os dias 8 e 11 de fevereiro, o Circuito Oceânico da Ilha de Santa Catarina chega a sua 28ª edição em 2017 na consagrada raia da Sede de Jurerê do Iate Clube de Santa Catarina – Veleiros da Ilha, considerada por muitos como uma das melhores do mundo. Como sempre, são esperadas as principais equipes de vela oceânica do país competindo nas classes C30, ORC, IRC, RGS, HPE-25, Bico de Proa e Multicascos.


Sempre promovendo um evento de grande porte atrelado a semana em que ocorre o Circuito Oceânico, o ano de 2017 terá como atrativo o Brasileiro de C30. Criado pelo uruguaio Horácio Carabelli, famoso projetista, o modelo é considerado um dos primeiros barcos ‘One Desing” de oceano brasileiro, sendo que todas as embarcações da flotilha seguem os mesmos padrões de criação. Dessa forma, a classe C30 acaba sendo uma das mais competitivas, com grande diferencial para as tripulações.

Para aumentar ainda mais a expectativa dos catarinenses com relação ao evento, a perspectiva é de uma grande participação das tripulações do Iate Clube de Santa Catarina nessa classe. Nos últimos anos, a flotilha do ICSC tem dominado a categoria, sendo que em 2016 os principais títulos nacionais foram conquistados por barcos do estado.

Liderados pelo comandante Inácio Vandressen, a equipe do Zeus Team faturou na última temporada o título brasileiro (conquistado em Ilhabela no mês de julho), além de vencerem o próprio Circuito Oceânico da Ilha de Santa Catarina e a Regata Volta à Ilha. Enquanto isso, o Katana, comandado por Cesar Gomes, faturou o título da Semana de Vela de Ilhabela, além de ter sido por duas vezes consecutivas (2014 e 2015) o Fita Azul da Regata Volta à Ilha, quebrando um jejum de muitos anos sem barcos C30 vencendo a principal regata oceânica do estado.

Programação:
A programação de quatro dias de competições em Jurerê inclui a realização de seis regatas para todas as classes, exceto RGS-Cruzeiro, Bico de Proa e Multicasos (4). Como de costume, a expectativa é de que o evento seja iniciado com uma regata de percurso (longo ou médio, dependendo das condições) e os três seguintes sejam compostos por regatas barla-sota.

Atuais campeões:
Além do Zeus Team, que defende o título na Classe C30, a flotilha oceânica de Santa Catarina chega a 28ª edição do Circuito Oceânico com uma grande responsabilidade. Catuana Kim (ORC), Itajaí Saiiling Team (IRC), Zephyrus (RGS), Quival (Bico de Proa) e Força 12 (HPE-25) são os atuais campeões do evento e em 2017 terá pela frente a missão de defenderem seus títulos na competição.

Mais uma vez nós esperamos por um grande evento na raia de Jurerê. O Circuito Oceânico da Ilha de Santa Catarina tem atraído muitas tripulações para Florianópolis, muito pela qualidade da raia, mas também pela época do ano. Florianópolis é um destino bastante desejado no verão e o mês de fevereiro já reserva um período mais tranquilo para quem quer viajar a lazer com a família. Além disso, dentro d´água sempre temos uma competição de alto nível técnico”, explica Lucas Reis, gerente de eventos do Iate Clube de Santa Catarina.

Scheidt e Coveiro estreiam na 49er na Copa do Mundo de Miami

Aos 43 anos, o bicampeão olímpico Robert Scheidt vai se aventurar por novos mares. Após o quarto lugar nos Jogos do Rio de Janeiro, ele afastou a possibilidade de aposentadoria e agora se prepara para encarar o desafio da classe 49er, um barco maior, mais veloz e com estratégias diferentes das classes Star e Laser, que o consagraram no mundo do iatismo. A ideia desse recomeço na carreira surgiu a partir do convite de Gabriel Borges. A estreia da nova dupla está marcada para a etapa de Miami da Copa do Mundo, de 22 a 29 de janeiro.


“Muita gente me perguntou por que continuar velejando. A verdade é que eu adoro. Gosto de velejar, de ter um desafio na vida, um objetivo pelo qual lutar. Sempre quero melhorar, conhecer mais a vela, isso me motiva”, afirma o maior medalhista do Brasil em Jogos Olímpicos, com cinco pódios. O desafio abre a possibilidade de um novo ciclo olímpico até os Jogos de Tóquio. “Sempre imaginei que a Rio/2016 fosse a minha última. Semanas depois, eu estava sem definição do que iria fazer. Então o Gabriel me ligou perguntando se eu gostaria de testar o 49er. E pensei: “Por que não tentar uma categoria nova? Ainda tenho lenha para queimar e uma nova categoria é uma nova motivação. Vamos em frente e deixar as coisas acontecerem até decidirmos se essa empreitada pode se transformar em ciclo olímpico.”

O recomeço no iatismo é encarado com tranquilidade. “Vejo o 49er como um barco interessante e ideia é velejar sem compromisso nenhum. Por enquanto, quero aproveitar o privilégio de fazer o que gosto, sem ambição de ser medalhista olímpico de novo. Até porque tenho uma montanha enorme na minha frente. Não tenho background nesse barco. E você toma muita surra no início. Mas estou gostando e o Gabriel é um excelente proeiro (ele fez dupla com Marco Grael no Rio-2016 e terminou em 11º lugar). O tempo vai mostrar até que nível podemos chegar e o próximo ano é decisivo”, afirma Robert, patrocinado pelo Banco do Brasil e Rolex, com os apoios de COB e CBVela.

Sem descanso – Os treinos na nova categoria começaram cerca de um mês após a Rio 2016, na Itália, mais especificamente no Lago di Garda, onde Robert mora com a família. A rotina tem sido exigido muito esforço físico. “As exigências na 49er são diferentes em relação às minhas experiências anteriores. Na Laser, por exemplo, o trabalho é de resistência e alguma força. Agora, as pernas são muito exigidas, pois só se veleja em pé. É preciso velocidade para cruzar o barco. Você apanha muito no começo, mas estou gostando”, conta Robert, que convive com tombos, arranhões e apresenta os joelhos constantemente ‘ralados’.

Após a estreia em Miami, a nova dupla pretende participar da Copa Brasil, em Porto Alegre, e, a partir de abril, investir mais tempo em treinamento, desta vez na Europa. Em 2016, porém, Robert voltou a competir após a Rio/2016. Conquistou a medalha de bronze na Star Sailors League (SSL), em Nassau, nas Bahamas, em dezembro. Em seu retorno à classe Star, após dois anos dedicados ao ciclo olímpico na Laser, velejou ao lado Henry Boenning, o Maguila, e subiu ao pódio em uma competição que reuniu os melhores do mundo.

Além da 49er, Scheidt recebeu propostas para navegar em barcos da vela oceânica, para trabalhar como técnico e também cogitou investir na classe Nacra 17, que é mista. Nesse caso, poderia velejar com a esposa, Gintare. Mas ela é da Lituânia, o que significa que não poderiam competir juntos em uma Olimpíada. Com isso, ela não trocara a Laser por um catamarã. “Tem toda a questão do patriotismo. Acho que se ela fizer outra campanha olímpica, faria mais uma de Laser, pois é jovem, tem apenas 34 anos”, explica Scheidt. Ele encerrou os treinos de 49er no Rio de Janeiro no dia 22 de dezembro e voltou para a Itália para os festejos de final de ano com a família.