Especial Velejadores Paralímpicos: Bruno Landgraf e Marinalva de Almeida

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Fé e determinação. É assim que Marinalva de Almeida e Bruno Landgraf definem um ao outro. Os dois serão os representantes brasileiros na classe Skud 18 nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 e esperam poder contar com a torcida para concluir a competição no top cinco.

Ex-goleiro do São Paulo Futebol Clube, Bruno está indo para a sua segunda Paralimpíada. Em Londres 2012 disputou a mesma classe ao lado de Elaine Cunha. Por indicação de uma amiga, a doutora Linamara Riso, do Time São Paulo (uma parceria do Governo do Estado, com o Comitê Paralímpico Brasileiro e a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência), em 2013 ele e Marinalva acabaram se conhecendo e, por se darem muito bem a bordo, ela acabou virando a nova parceira paralímpica. Marinalva também é amante dos esportes e, dentre outras atividades, gosta de correr e disputou, de muletas, a São Silvestre e é detentora do recorde de salto em distância.

Para ambos a sensação quando subiram em um barco pela primeira vez foi a mesma: de liberdade. “Para fazer a maioria das coisas eu preciso de ajuda. Quando estamos no barco, somos nós que tomamos as decisões, não precisamos da ajuda de ninguém. É uma sensação incrível de liberdade. Quem nunca velejou e sobe em um barco pela primeira vez, não quer parar mais. É muito gostoso”, disse Bruno.

Além do amor pelo mar, os dois dividem uma triste estatística: a dos brasileiros que adquiriram algum tipo de deficiência por conta de acidentes de trânsito. Estima-se que hoje mais de 24 milhões de pessoas no país sejam deficientes e que 30% delas tenham adquirido a deficiência em acidentes automobilísticos.

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Bruno viu sua promissora carreira de goleiro ser precocemente encerrada quando, em 2006, o carro que dirigia capotou na rodovia Régis Bittencourt, causando uma séria lesão na sua coluna. Ele acabou ficando internado por oito meses e doze dias e, quando saiu do hospital, tetraplégico, os médicos diziam que ele teria movimentos apenas nos olhos. Hoje, depois de muita fisioterapia, ele consegue movimentar, os dois braços com um pouco dificuldade e se locomove com a ajuda de uma cadeira de rodas. “Quando sofri o acidente procurei, antes de mais nada, melhorar meus movimentos a cada dia. No começo conseguia treinar apenas 30 ou 40 minutos, pois logo ficava cansado. Aí voltava para casa ou ia para a fisioterapia sabendo o que teria que melhorar, mas não sabia se conseguiria ter aqueles movimentos. Hoje consigo treinar de três a quatro horas e fico com um cansaço normal. Meu objetivo era ir para a Copa de 2008 e acabei me classificando para as Olimpíadas de 2012. Agora quero terminar no top 5 da Paralimpíada do Rio 2016!”, disse ele.

Já Marinalva perdeu a perna esquerda aos 15 anos também após um acidente rodoviário. Hoje caminha com perna mecânica. “A falta da perna para mim é um detalhe. Até de salto eu ando. Pouco depois do acidente eu já estava praticando esportes, tentando conhecer meu corpo para saber o que eu conseguiria fazer ou não. Já mais velha, ainda de muletas, um amigo me apresentou a corrida. A primeira prova foi muito difícil, o último quilômetro não acabava nunca, mas consegui concluir. Dali para frente não parei mais”, disse ela.

A preparação para as Paralimpíadas não foi fácil. Assim como na maioria dos esportes, faltou apoio e o ciclo, que deveria ter sido de quatro anos, foi apenas de dois. Os barcos usados por eles para treinos e competições nacionais chegaram ao Brasil apenas em 2014 por conta da burocracia brasileira.

“O que dá certo é treinar! Para Londres tínhamos uma competição e a seguinte vinha apenas depois de seis ou sete meses. Para o Rio conseguimos treinar um pouco mais a partir do momento que mudamos para Niterói, há pouco mais de um ano, e passamos a ter o Clube Naval Charitas como nossa base. Quanto mais você usa o seu equipamento de competição, no local da competição, melhor é”, diz Bruno. “Tive apenas três anos entre conhecer o esporte e chegar nas Paralimpíadas. Sabemos o que precisa ser feito para ganhar, mas nossos concorrentes também são muito bons e têm mais tempo de vela. Estamos fazendo o melhor que podemos. Gosto muito de treinar, de estar na água, faz bem para a alma”, completa Mari.

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O barco que eles velejam é o Skud 18, único do programa paralímpico com balão. O timoneiro vai sentado em uma cadeira posicionada de frente para o mastro e controla o leme com ambas as mãos. O proeiro, fica responsável pelo controle das velas. Quem quiser assistir de perto as regatas, pode garantir o seu ingresso clicando aqui. Serão usadas as raias do Pão de Açúcar e da Escola Naval.

“O fato de estar no seu país, no seu fuso-horário, comendo a sua comida… Fui bem recebido em Londres, mas o povo brasileiro é especial. Quem vier assistir vai ficar bem contente. Poderemos passar a mensagem para outros deficientes que é possível ter uma vida normal apesar de tudo”, conclui Bruno.

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