Exclusivo: Lucas Brun fala dos 10 anos da morte de Hans Horrevoets

Neste 18 de maio de 2016 o mundo da vela presta sua homenagem ao velejador Hans Horrevoets. Tripulante do ABN Amro Two, a equipe jovem da edição 2005-06 da Volvo Ocean Race, ele caiu no mar na perna entre Nova Iorque e Portsmouth e não resistiu, apesar de todo o esforço da tripulação para salvá-lo. Hans deixou esposa e filha pequena.

O Notícias Náuticas conversou com exclusividade com o velejador Lucas Brun, que estava a bordo do ABN Amro Two no momento do acidente. Confira:

“O pessoal hoje está relembrando o acidente, mas não está relembrando como era o Hans. Ele era uma pessoa amiga, dedicada, sempre preocupada com os outros… Além de ser um bom velejador, tentava ajudar a todos, da melhor forma que podia. Sempre levava a vida para o lado positivo. Tive o grande prazer e honra de dividir turno com ele nas regatas. Sempre muito divertido, ele e a mulher, mas também sempre se dedicando muito à carreira profissional.

É difícil falar dele, pois é uma pessoa muito importante para mim. Foi ele que selecionou o grupo do ABN Amro 2. Não foi só o professor da vela, mas também a pessoa com quem velejamos. Trabalhamos sempre juntos. Ele entrou por último, pois perdemos dois velejadores no início e a escolha de leva-lo foi óbvia.

O acidente em si, foi um acidente que todos no início falaram que fomos irresponsáveis, que não levamos a sério a parte de segurança, mas que na realidade foi um acidente bobo. Vínhamos velejando com 12 nós de vento e o vento começou a aumentar. Fizemos o peelling para o balão maior e quando terminamos já estávamos com 20 nós e começamos um outro peeling, para vela menor e dez minutos depois começamos a mudança de turno para que todos fossem para baixo para colocar o salva-vidas. Foi neste momento que eu e o Andrew fomos lá em baixo e colocamos o salva-vidas e voltamos. Esta rolando a troca de turno. O Sab estava no timão e o Hans no trimmer. Como começamos com pouco vento e visibilidade reduzida, ele estava sentado no stack. Numa tempestade dessa, passou uma onda e o levou.

Seguimos todo o procedimento que aprendemos, jogamos lanterna, bomba de fumaça, tudo que tínhamos de luminoso para ter um trecho de migalhas para voltar para o Hans. Claro que apertamos o botão para marcar a localização, mas com o barco a 30 nós, mas esta posição nunca é precisa.

Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e com metade da tripulação dormindo. À noite, com tempestade de 20 a 30 nós e ondas grandes. Mas, depois de 40 minutos conseguimos encontra-lo. Não sei como, mas acho que no final foi bom para todos, pois pudemos levar o Hans de volta para a sua família.

Mesmo assim, é importante lembrar que, sem ele, não teríamos formado um time tão bom. Apesar de não ter sido um dos whatch captains, era um dos mais influentes do time. Tinha mais idade e já tinha corrido uma VOR. Todos nós aprendemos muito com eles. Não tenho muito mais o que falar, só que a vela mundial, naquele dia, perdeu uma pessoa muito importante, que poderia ter cintinuado a influenciar a vida de muitos jovens e muitas outras pessoas!”

Webserie: Aleixo Belov na Antártida – cap6

Entre 27 de outubro de 2013 e 15 de março de 2014 o ucraniano naturalizado brasileiro Aleixo Belov se aventurou rumo à Antártida a bordo do veleiro Fraternidade com mais nove tripulantes. Foram 150 dias de viagem passando pelo Cabo Horn e estreito de Drake, enfrentando ventos de quase 100 nós, muita onda e neblina. A história rendeu um livro, lançado no final de 2014 e agora virou uma webserie de 8 capítulos que você pode acompanhar aqui no Notícias Náuticas em quatro semanas!

Este sexto capítulo se passa na Antártida (Port Locroy e Vernadsky)