Nem Wanderley abre 9 pontos na liderança do Mundial Master de Laser

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O terceiro dia de regatas do Mundial Master de Laser que está rolando em Puerto Vallarta, no México, foi mais uma vez produtivo para o Brasil. Apesar do 7º lugar na quinta regata da série, Nem Wanderley venceu mais uma e abriu nove pontos de vantagem sobre o neozelandês Richard Blakey, segundo colocado na categoria Master. Com um terceiro lugar na primeira regata do dia, Marcia Macdonald lidera entre as mulheres na mesma categoria.

Quem também teve um dia bom foi Luis Castro, da Grand Master, que venceu segunda regata do dia e ocupa a quarta colocação geral, a 11 pontos do terceiro. Fabio Ramos, da Aprendiz, também está em quarto, a cinco pontos do terceiro.

Esta quarta-feira é dia de folga e as regatas recomeçam na quinta-feira. Os resultados completos até a sexta regata podem ser vistos aqui.

Confira o relato de Nem sobre o terceiro dia de regatas:

“A primeira regata foi disputada com vento de 8 a 10 nós, com onda picada. Dei uma boa largada, o terceiro da boia, mas logo fui levado pelos barco de sotavento e tive que cambar para a direita. Aí começou a cruzada até a boia de contravento. Não tinha velocidade e fui tentando buscar vento livre pelo meio. Montei em 10 master, talvez, e apesar de conseguir encostar nos da frente durante a regata, não tive muita oportunidade de passar. No segundo contravento optei pela direita, o que deu no começo, mas deu esquerda no final e acabei mantendo o lugar. Passei uns 2 no popa final e acabei em 7º. No geral acho que 10.

Na segunda largamos com uns 12-13 nós. Larguei perto da comissão e na primeira oportunidade cambei para a direita, com o italiano na retranca. Fomos praticamente até o layline e cambei na reta dele, com a flotilha na retranca. Quando entrava uma pressão pela direita ele encostava e quando arribava para a direita eu abria. Fomos assim até quase a boia, mas no final deu esquerda, com pessoal vindo perto. Montei em segundo e no popa andei bem abrindo um pouco. Quem estava na frente e perto era o neozelandês Scott Leigh, líder da aprendiz. Na montagem da boia de sotavento perguntei para ele qual era o plano dele, pois a minha luta estava mais apertada que a dele. Ele falou que ia mais um pouco e logo cambou, me deixando vento livre. Em segundo vinha um barco da Nova Zelândia e em terceiro o italiano, numa distância relativamente segura. Daí fui administrando cobrindo os dois indo para os dois lados. O Scott foi quase até o layline da esquerda e montamos perto novamente. Andei bem no popa novamente, mantendo a distância e terminei em primeiro, segundo geral. Gostei da regata. Com mais vento tenho boa velocidade.”
Atualizado às 11h de 27/4

 

Disputa acirrada na Transat AG2R La Mondiale

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Apenas 4 minutos e quatro segundos separaram a dupla Thierry Chabagny e Erwan Tabarly, do Gedimat, vencedora da Transat AG2R La Mondiale, de Nicolas Lunven e Gildas Mahe, do Generali, segundos colocados. Foram necessários 22 dias, uma hora e seis minutos no mar para completar as 3800 milhas do percurso entre Concarneau e St Barts.

E para provar que a regata foi realmente muito disputada, foi necessário apenas mais trinta e quarenta minutos para que o terceiro e quarto lugares cruzassem a linha de chegada. Foram eles Adrien Hardy e Vincent Biarnes a bordo do AGIR Recouvrement, e Sebastien Simon and Xavier Macaire a bordo do Bretagne-CMB Performance.

Para ver o resultado completo, clique aqui.

Alemães serão maioria no City Grand Slam da SSL

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Três duplas alemãs aparecem no “Top 10” da primeira edição do City Grand Slam da Star Sailors League (SSL), entre os dias 3 e 7 de maio no Lago Alster, centro da cidade de Hamburgo, ao norte da Alemanha. Os donos da casa estão entre os principais adversários dos brasileiros Torben Grael e Bruno Prada, que irão correr respectivamente com o italiano Stefano Lillia e com o norte-americano Augie Diaz. Torben é o nono no ranking dos timoneiros, enquanto Bruno lidera a lista dos proeiros. O evento tem premiação geral de 100 mil dólares e vale 3.000 pontos no ranking da SSL.

Por questão de logística, os velejadores alemães serão maioria entre as mais de 80 tripulações esperadas em Hamburgo. Robert Stanjek e Frithjof Kleen vêm embalados pelo título conquistado em março na tradicional Bacardi Cup com 70 barcos na raia. Pela primeira vez uma dupla alemã venceu a competição disputada desde 1927 em Miami. “Velejei menos de dez vezes no Lago Alster. Há muitos prédios ao redor e se costuma dizer que se alguém abre uma janela em Hamburgo, o vento muda de direção”, brinca Frithjof. “A flotilha estará muito compacta e acredito que as mudanças de posições serão constantes. Estou orgulhoso pela Alemanha receber a SSL e ao mesmo tempo ansioso para as regatas”, revela o proeiro campeão da Bacardi Cup, sexto no ranking da SSL.

Ninguém, porém, deverá sentir-se mais em casa do que Johannes Polgar (8º) e Markus Koy (3º). Ambos são associados do clube anfitrião, Norddeutscher Regatta Verein (NRV), às margens do Lago Alster. Koy nasceu em Hamburgo, onde vive até hoje. Polgar morou na segunda maior cidade da Alemanha durante 16 anos. A ascensão de Polgar na classe Star tem sido marcante após representar seu país nos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim, na classe Tornado. Em apenas três anos na Star, a parceria com Koy valeu o título do Campeonato Europeu. A dupla encerrou 2015 com o quarto lugar na SSL Finals em Nassau, Bahamas.

“Nós sempre velejamos de Tornado na cidade de Kiel porque o Lago Alster é muito pequeno, mas quando eu comecei a correr de Star, já havia uma flotilha muito competitiva com mais de 30 barcos no lago de Hamburgo. Há bons velejadores no NRV devido ao regime de ventos muito peculiar no lago. O vento mais leve e as brisas podendo vir de direções diferentes, exigem atenção total até a linha de chegada”, recomenda Polgar. “Será um evento fantástico. Eu e Koy representaremos o país e o clube, a responsabilidade será dobrada e faremos o máximo que pudermos”. A terceira dupla alemã entre as dez mais bem ranqueadas na SSL é Hubert Markelbach (7º) e Gerrit Bartel.

Fonte: SSL

Equipe Brasileira inicia disputa da Copa do Mundo de Vela nesta quarta

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Pela última vez antes dos Jogos Rio 2016, em agosto, a Equipe Brasileira de Vela estará reunida para uma competição. A partir desta quarta-feira (dia 27), a cem dias da cerimônia de abertura olímpica, 12 dos 15 velejadores brasileiros classificados para o maior evento esportivo do planeta vão participar da tradicional etapa de Hyères (França) da Copa do Mundo da Federação Internacional de Vela (World Sailing). A disputa vai até domingo, quando serão realizadas as regatas da medalha.

Dos classificados para os Jogos Olímpicos estão em Hyères Martine Grael e Kahena Kunze (classe 49erFX); Marco Grael e Gabriel Borges (49er); Fernanda Oliveira e Ana Luiza Barbachan (470 feminina); Jorge Zarif (Finn); Fernanda Decnop (Laser Radial); Samuel Albrecht e Isabel Swan (Nacra 17); Ricardo Winicki, o Bimba (RS:X masculina); e Patricia Freitas (RS:X feminina). Além deles, o Brasil terá Bruna Martinelli na RS:X feminina.

Bicampeão olímpico, Robert Scheidt optou por não disputar a etapa de Hyères para focar na preparação para o Mundial de Laser, entre os dias 12 e 18 de maio, no México. Na 470 masculina, Henrique Haddad e Bruno Bethlem também não vão competir. A dupla preferiu ficar no Rio de Janeiro treinando na Baía de Guanabara, palco da vela nos Jogos Olímpicos.

“A etapa de Hyères da Copa do Mundo será nossa última competição internacional antes dos Jogos Olímpicos. Estamos em fase final de treinamentos técnicos e definição de equipamentos. É uma etapa tradicional da Copa do Mundo e teremos todas as nossas adversárias também em ajustes finais”, afirmou Fernanda Oliveira, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, na classe 470 feminina ao lado de Isabel Swan.

A etapa de Hyères da Copa do Mundo proporcionou alegrias recentes para os velejadores brasileiros. Em 2013, Fernanda e Ana ficaram com a medalha de ouro, enquanto Scheidt faturou a prata. Em 2014, foi a vez de Martine e Kahena conquistarem o ouro. E, no ano passado, a festa foi grande: Fernanda e Ana ganharam o ouro novamente, Martine e Kahena levaram a prata e Scheidt e Patricia Freitas ficaram com o bronze.

“Para nós, competir em Hyères fechando nosso ciclo antes dos Jogos Olímpicos será especial, pois foi onde ganhamos duas medalhas de ouro. Daremos o nosso melhor, procurando repetir nossos resultados dos últimos meses”, disse Fernanda. Na atual temporada, ela e Ana foram ao pódio em quatro das cinco competições que disputaram.

No total em etapas da Copa do Mundo (desde 2009), o Brasil soma 37 medalhas, sendo 19 de ouro, nove de prata e nove de bronze.

Fonte: assessoria

Scheidt abre mão de Hyères para focar no Mundial de Laser

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A fase de preparação é tão importante quanto a competição. Todo atleta de alto nível sabe disso. E com Robert Scheidt não é diferente. Focado na disputa do Campeonato Mundial de Laser, que será de 12 a 18 de maio, em Puerto Vallarta, no México, o velejador brasileiro optou por abrir mão da etapa de Hyères da Copa do Mundo de Vela, que começou nesta segunda-feira (25), na França. Trata-se de uma decisão tática, pois a temporada 2016 é composta por ‘degraus’ que precisam ser superados até chegar ao objetivo maior, que é a Olimpíada do Rio de Janeiro. E um dos maiores ‘degraus’ é justamente o Mundial.

“Acabei optando por não ir para Hyères porque achei que seria demais. Isso em função da proximidade com o Mundial. Vou embarcar dia 4 de maio para o México e será uma viagem longa, com 8 horas de fuso, então considerei ser melhor usar esta semana para caprichar na parte física”, disse o velejador, que promete aliar os exercícios fora da água com a parte técnica da modalidade. Schedit fez questão de garantir que sua escolha visa apenas se preservar para fazer um bom Mundial. “Não é nenhum problema de lesão, apenas considero mais importante chegar com gás total no mundial. Como as duas competições são bem próximas, precisei escolher”, completou o bicampeão olímpico, patrocinado pelo Banco do Brasil, Rolex, Deloitte e Audi, com os apoios de COB e CBVela.

O Mundial do México será disputado na mesma raia do Pan de 2011, competição que Scheidt não participou porque, na época, disputava a classe Star, que não faz parte do programa pan-americano. A competição não é o primeiro degrau de Robert rumo aos Jogos Olímpicos do Rio. Em 2016, ano de sua sexta Olimpíada, ele soma dois títulos consecutivos. Após vencer, no começo de janeiro, o Brasileiro de Laser, no Rio de Janeiro, o velejador conquistou, no fim do mesmo mês, seu sexto título em Miami da Copa do Mundo de Vela. Mais recentemente, no início de abril, conquistou a prata no Troféu Princesa Sofia, em Palma de Mallorca na Espanha. Na carreira são 175 títulos – 86 internacionais e 89 nacionais – além de cinco medalhas olímpicas (duas de ouro, duas de prata e uma de bronze).

Robert Scheidt também conquistou mais três vitórias recentemente. Embora não tenham o peso dos grandes resultados já obtidos na temporada 2016, ele ganhou velejando na Itália, em 15 de abril, dia do seu aniversário de 43 anos. “Foi um dia muito feliz. Estava com minha família e participei de uma regata no Lago de Garda e venci três provas, então, não podia ser melhor essa comemoração do meu aniversário.”

Fonte: Assessoria

Brasil segue na liderança do Mundial Master de Laser

Mais um dia de competições em Puerto Vallarta, no México, e mais um dia de brasil na liderança da categoria Master. Carlos Eduardo Wanderley, o Nem, venceu mais uma regata e foi segundo em outra. Com o descarte, ele tem apenas três pontos perdidos, contra oito do italiano Alessio Marinelli, segundo colocado. Quem também está indo bem é Marcia Macdonald, que lidera entre as mulheres na Master. Ela aparece na 10ª colocação geral.

A categoria Master tem uma flotilha de 29 barcos e corre junto com o pré-máster, que tem 15 barcos, e as colocações são calculadas em separado. O percurso é sempre o outer-loop.

Entre os aprendizes, Fabio Ramos e Nalton Coelho aparecem em 5º e 6º respectivamente.

Para ver os resultados completos acesse: http://bit.ly/1QwZhNf

Confira abaixo o resumo das quatro primeiras regatas feito pelo Nem.

“No domingo tivemos duas regatas. Na primeira, com vento em torno de 14 nós, larguei um pouco a sota da comissão e não consegui cambar logo para a direita, que era o lado certo. Quando consegui, fui quase até o corner dando água para quem vinha de lá, mas quando cambei, quase no layline, o pessoal que eu tinha dado água já vinha voltando atrás. Nesta reta consegui vento livre e andei rápido, montando a boia em primeiro. No través consegui abrir um pouco e daí foi só manter. O popa com esta direção de vento é bem difícil, pois a vaga vem de lado e na orçada para descer a onda a proa vai longe da bóia. Tem que estar sempre forçando a velejada pela valuma. No contravento fica de vela direita, com onda de frente e de vela esquerda um pouco de lado. Terminei em segundo geral e primeiro máster.

Na segunda o vento aumentou um pouco, terminando com uns 16 nós. A saída estava favorecendo a boia. Dei uma boa largada e logo cambei com a flotilha na janela. Dei mais umas duas cambadas até o layline da direita e montei em primeiro. Conforme o vento foi aumentando fui abrindo. Segundo contravento tinha mais pressão na esquerda e uma leve rondada. Nesta regata fui terceiro geral e primeiro máster.

Na segunda-feira foram disputadas mais duas regatas, com vento de 220°, com a vaga mais na direção do vento, o que ajudou no popa. Larguei mal nas duas, fazendo duas regatas de recuperação e aproveitando os erros dos outros. A primeira com vento entre 10 e 13 nós e a segunda com uns 14 a 16.

O primeiro contravento da primeira regata deu dos dois lados e consegui me livrar de um grande bolo vindo de direita, um pouco a sota da boia, para montar em 5º ou 6º. Passei alguns velejadores no popa e no segundo contravento juntei na briga com o terceiro, que consegui passar ainda no popa, montando a boia perto do primeiro, com outro velejador em terceiro bem perto já no través final. Daí no contravento curto, fiquei controlando o terceiro que era o italiano e cheguei em segundo na máster e quarto geral.

 

Na segunda o vento variava entre 14 e 16 nós. Larguei encaixotado e fui livrando valuma durante o contravento todo. Consegui montar em 6º talvez. Passei dois pré-masters no través e depois no popa passei um máster mas perdi para o italiano. Na entrada do segundo contravento optei pela boia menos cheia, onde teria somente uma valuma e estaria bem na frente de um pré-master. Conforme fui subindo, vi que o pessoal da esquerda estava ficando um pouco e ao mesmo tempo vi que os gran-máster estavam com uma pressão diferente na boia de contravento do percurso inner-loop. Decidi ir até o layline e quando cambei já estava na frente. O que me ajudou na decisão de ir sozinho para a direita foi que um mexicano pré-master, que conhece a raia e que era a valuma na minha frente, foi indo, sem cambar para a direita. Confesso que a estrelinha brilhou um pouco.”

Entrevista exclusiva com o campeão mundial Bruno Prada

 

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Durante o feriado de Tiradentes, o Notícias Náuticas foi até Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, conversar com o campeão mundial de Star Bruno Prada. Em um bate-papo de meia hora o medalhista olímpico e melhor velejador do mundo contou como foi conquistar mais este título mundial (o quarto da carreira), como é velejar com Robert Scheidt e o que acha do futuro da vela mundial.

Confira abaixo como foi a conversa:

Notícias Náuticas: Como foi a disputa deste Campeonato Mundial¿

Bruno Prada: O Mundial de Star foi super disputado, com 72 barcos. Mas, como Miami já tem a Bacardi Cup e a Star Winter Series, os brasileiros costumam ir muito para lá. Acho que lá foi o lugar que eu mais velejei fora do Brasil, então conheço muito bem a raia. O Augie também é de lá, mora a dois quarteirões do clube.

Um mês antes tínhamos corrido a Bacardi Cupl, com vento forte, que não é a especialidade do Augie. Ele tem 61 anos de idade, então não dá para brigar com velejadores como o Robert Stanjek, o Diego Negri, que tem em torno de 40 anos. Mas, ainda assim fomos bem, terminamos em terceiro, com um barco novo, que não tivemos tempo de regular.

Quando o evento acabou, pensei que se tivéssemos uns dias de vento fraco no Mundial daria para brigar com estes caras mais novos. E na semana do Mundial deu tudo muito certo. Demos uma certa sorte. Conseguimos fazer bons resultados. Em uma flotilha de 70 barcos é fácil tirar um 15º lugar, por exemplo, e nem é um resultado ruim. Mas começamos com um terceiro e um quarto lugares. De noite, olhando a previsão, vimos que o vento ia diminuir um pouco e no dia seguinte conseguimos ganhar a regata. A partir daí a previsão dizia que o vento só ia diminuir.

No Star você precisa ter um pouquinho de sorte. Precisa estar naquela semana perfeita. Como o Torben. O cara correu 30 mundiais e só ganhou um. Ele é bom. Desde o primeiro mundial que correu sempre foi um dos melhores do mundo. Mas ele teve uma chance. Uma única chance que acabou ganhando.

O campeonato foi muito disputado até o último contravento da última regata. A nossa estratégia era tentar largar melhor do que o Negri e o Labentenghi, que chegaram em primeiro no último dia. Nós tínhamos um descarte melhor e queríamos levar eles para o lado ruim da raia. Estávamos um em 60º e um em 65º. Foi quando o vento deu uma diminuída e quando voltou, voltou do lado que estávamos na raia. Conseguimos recuperar um pouco e fomos de 60º para 25º, o que ainda era péssimo. Depois fomos para 7º e no último contravento chegamos a liderar a regata, com o Negri em segundo e com esse resultado ele ganhava o campeonato. Para baixo de quinto, tínhamos que colocar um barco entre a gente e ele vencia no desempate. No final da regata o vento voltou novamente para onde estávamos e conseguimos vencer.

O Augie está muito feliz! Não dizendo que ele não vá ter outras chances, mas esta ele soube aproveitar. O primeiro mundial dele foi em 1983, ou seja, 33 anos tentando o título. O melhor resultado dele foram dois quartos lugares. Ele soube aproveitar a chance dele. O Negri, por exemplo, já tem dois segundos e um terceiro lugares e ainda não conseguiu aproveitar a chance dele.

NN: Como é velejar com o Augie?

Bruno: Velejo com ele há sete anos. Em 2009 ele me convidou para correr a Bacardi Cup, evento que o Robert nunca quis participar. Cheguei a correr a Miami OCR e toda a Star Winter Series. Então já rola um entrosamento. Fora que tenho um super relacionamento com ele fora d’água. Ele é um cara muito gente boa. Até falo isso para ele, que ele é legal demais, que tem que ser menos gente boa com a galera. Às vezes ele está lá arrumando o barco para um campeonato que começa no dia seguinte, fala que está sem o pau da buja, por exemplo. Ele para o que está fazendo, vai na caixa, empresta… Ele é realmente alguém muito do bem!

NN: Como foi o treinamento para o Mundial?

Bruno: Nós corremos a Bacardi, que é de segunda a sábado e eu cheguei na quinta. Aproveitamos para correr no final de semana a Walker Cup, que foi a final da Winter Series. No Mundial eu cheguei cinco dias antes e levei comigo o Luca Modena, que era meu técnico e do Robert. O barco é novinho e foi entregue um dia antes da Winter Series. Não tivemos tempo de acertar o barco, quer dizer, tivemos que acertar entre uma regata e outra. Conseguimos deixa-lo muito rápido. Em um mundial, terminar todas as regatas entre os cinco melhores, por melhor que você seja, é por que você está rápido. Quando você começa a acertar tudo, não é que você está realmente acertando tudo. É porque está tomando as decisões certas e porque está rápido. Um dos grandes méritos nossos foi deixar o barco rápido.

Além disso fizemos um planejamento muito legal antes, de estudar as correntes. O Luca, antes de cada dia tinha a obrigação de fazer umas cinco ou seis marcações da maré. Não basta seguir a tábua de maré… é preciso saber onde vai mudar, onde começa a encher ou vazar. O Luca conseguiu fazer um trabalho excelente e tínhamos muita confiança nele. Conseguimos mapear a maré e o vento. Já saíamos para velejar confiante no que íamos fazer. Tínhamos um pré-plano, claro que tinha que ajustar na raia, mas este planejamento foi muito bem feito. O conhecimento que temos da raia também ajudou muito.

Temos uma química muito boa dentro d’água também. Velejar em dupla é como um casamento. Você acaba ficando muito amigo do cara e na hora de tomar decisões tem aquele stress normal. Com o Augie rola uma convergência das ideias. Até na hora de regular o barco. Um ponto legal com ele é que ele tem muita confiança em mim. No popa, que eu vou de pé, ele falou: você faz a tática e eu só me preocupo em tocar o barco. Isso me dá muita confiança também.

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NN: É mais fácil velejar com ele ou com o Robert?

Bruno: O ponto forte do Robert é a Intensidade. A primeira regata do campeonato no primeiro cotravento e o último contravento, da última regata, é a mesma intensidade, muito intensa. Está sempre no 100%. O Augie, claro, tem mais de 60 anos e tem os momentos de cansaço, de desconcentração. Gosto de velejar na proa e os dois são grandes velejadores. Então, com certeza, ganhar campeonato com Augie foi uma coisa muito maior do que com o Robert. Quando estou com o Robert, até por conta de tudo o que a gente já fez, é quase que uma obrigação ganhar e com o Augie foi uma grande surpresa. Esperava ir bem no campeonato, mas jamais esperava ganhar o mundial. Acho que nem ele esperava ganhar.

NN: O Augie foi o velejador mais velho a ganhar um mundial de Star…

Bruno: O mais velho da história. Nunca ninguém acima de 60 anos ganhou um Mundial de Star

NN: Na época que você velejava com o Robert, vocês estavam muito preparados, treinando muito. Faltou uma medalha de ouro olímpica para completar a coleção?

Bruno: Faltou. Era do Rio de Janeiro, né… é complicado você ser campeão mundial, primeiro do ranking e não disputar uma olimpíada por problemas políticos. Entramos nas duas medal races das duas olimpíadas que disputamos com chance de medalha de ouro, mas não tivemos um dia bom. Tínhamos concorrentes fortes…

NN: Por que você acha que o Brasil vai tão bem nas regatas de Star. Subimos no pódio em todas as olimpíadas desde 1988, a não ser em Barcelona, 1992

Bruno: Na verdade, a Star é uma das classes mais fortes que tem no Brasil. Mas no final das contas, as medalhas não são fruto de um processo. São frutos de uns malucos… Pega o Torben e o Robert. Das 17 medalhas olímpicas, dez são deles. Nas décadas de 1980 e 1990 tínhamos uma flotilha bem forte. Tinha o Alan Adler, o Gastã Brun, o Dino Pascolato, o Eduardo Souza Ramos… eram vários velejadores de ponta que elevavam o nível da classe. Acho que a entrada do Robert foi a entrada do planejamento, do preparo, da intensidade. É um pouco de tradição. Quando começa a ganhar medalha, vai chamando os velejadores de ponta para vir treinar. As pessoas querem velejar ao lado de medalhistas. E acho que é uma classe que o Robert e o Torben se adaptaram muito bem. O Star é a prova, junto com o salto triplo, que mais trouxe medalhas olímpicas para o Brasil. É uma pena não fazer parte do programa olímpico do Rio. Mas agora não adianta chorar muito.

NN: E qual o próximo evento que você vai participar?

Bruno: Vou para a Alemanha correr o Grand Slam da Star Sailors League (SSL). Vou com o Augie de novo. É um campeonato muito legal, com uma transmissão incrível. A vela sofre de alguns problemas crônicos e um destes problemas é a promoção dos seus heróis, dos seus ídolos. A vela simplesmente não está nem aí para seus ídolos. A World Sailing (ex-ISAF) tem a capacidade de fazer de tudo para não promover o esporte. A vela hoje sofre um problema grave.. quando a vela paraolímpica saiu da olimpíada foi meio que o gato subiu no telhado. E a vela é a próxima, porque, a olimpíada é um negócio. É como televisão, se não dá audiência, sai do ar. E a vela está entre os três piores esportes de audiência. Por que? Porque nada é feito. Fora as finais olímpicas, não tem transmissão de Copa do Mundo, Mundial…A SSL está fazendo isso. As regatas são legais. Eles promovem o esporte.

Então, qual o segredo para transformar a vela? Promover seus ídolos, seus heróis. Depois, parar de mudar o esporte. Se você for ver os últimos dez anos, os caras mutilaram o esporte. Diminuíram as regatas, inventaram as medal races. Em 2013 corri seis campeonatos com seis sistemas de pontuação diferentes. A SLL tem um formato fácil. Tem os dez primeiros que passam para a final, elimina três, depois elimina mais três e na final, com quatro barcos, o cara que ganhar é o campeão. O público é leigo. Tem que ser fácil. Além disso eles têm gráfico, narrador… dá prazer de assistir.

A vela está no caminho errado, por que eles querem mudar o esporte. Já fui em vários campeonatos, tipo Copa do Mundo, e conversando com as pessoas, com os organizadores, todas reclamavam que estavam sem patrocínio. Mas patrocínio é um negócio. O que você vai dar em troca? O que você está me vendendo? Qual o seu produto? A vela como produto é uma droga. O esporte é muito legal, mas o produto é muito ruim. O problema é que querem vender um produto que não é bom. A SLL aos pouquinhos está revolucionando. Tem prêmio em dinheiro, traz os velejadores bons. São várias coisas que eles estão fazendo direitinho que eu acredito que o Star vá acabar voltando para as Olimpíadas. Ano passado a SSL fez um evento incrível no Museu Olímpico em Lousanne, na Suíça.

Outra coisa que a World Sailing precisa entender é que a Olimpíada não é um balcão de negócio de fabricantes de barco. É um momento que temos para mostrar o esporte da vela para o mundo. E o que é a vela? É regata de flotilha, match race, prancha, skiff, catamarã, barco de quilha. Não adianta colocar Finn e Laser na mesma competição. Ou você escolhe o skiff ou o 470, os dois são muito parecidos.

O formato da SSL é muito legal e se, conseguirem perceber isso, vão entender que este é o formato do futuro.

Helio Lyra e Alexandre Muto são campeões da Taça Octanorm

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Durante o feriado prolongado de Tiradentes, o ICRJ promoveu mais uma edição da tradicional Taça Octanorm. Cinquenta e sete barcos do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Floripa e Bahia participaram da competição. Depois de oito regatas e muita festa, os campeões foram Helio Lyra e Alexandre Muto, o Leleco. Paulo Santos e Tiago Sangineto, segundos no geral, foram campeões na Master. Rafael Martins e Juliana Duque, atuais campeões sul-americanos e quintos colocados no evento, foram os campeões na mista. Nicholas Grael e João Pedro Moreira, campeões sul-americanos Jr, foram campeões Jr na Octanorm e 6º colocados geral.

O resultado completo você confere aqui.

 

Baía de Guanabara estará segura para competições olímpicas

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No último dia 20 o presidente do Comitê Olímpico Internacional Thomas Bach anunciou, em entrevista coletiva, que a Baía de Guanabara estará segura para a disputa das Olimpíadas e da Paralimpíadas em agosto e setembro respectivamente, mesmo sabendo que a meta de despoluição de 80% não vai ser cumprida.

Segundo o governo do RJ os ecoboats estarão em ação e redes serão colocadas para inibir a chegada do lixo flutuante às raias.

“Estamos muito confiantes que a área de competição estará segura e oferecerá condições justas para a competição”, disse Bach. “A cidade e o Comitê Rio 2016 estão se esforçando e o que vemos agora é que 60% da superfície está limpa. Sem a realização dos Jogos seria zero”, completou.