A melhor maneira de velejar com um amador no leme, por Santinha

Acabei de voltar de Miami onde estive disputando a Bacardi Sailing Week na classe J/70. Foi uma semana excelente de vento e temperatura. Tivemos três tripulações brasileiras na classe, alguns novatos no esporte e outros novatos neste tipo de campeonato.

Desta vez estive atuando como proeiro no Ocean Pact Race, comandado por Flavio Andrade, e que contou ainda com o reforço de Johnny King, tático, e ‘Super’ Mario Trindade, trimmer. Com pouco tempo para treinar, tivemos algumas conversas antes do campeonato para tentarmos nos adaptar ao barco o mais rápido o possível.

A vela, como todos sabem é o único esporte que consegue colocar o amador junto com o profissional e, por isso, em alguns momentos como profissional, achamos que a manobra já está clara para todos, mas esquecemos que a bordo temos alguém que leva o esporte apenas como hobbie. Para incentivar o esporte, em algumas classes consagradas pelo mundo o proprietário é obrigado a ir no leme e acaba que em alguma situações, a reação até demora um pouco e o barco começa a sair do controle. Aí toda a tripulação fala, palpita até tudo se acertar.

A maioria das equipes que tem o proprietário no leme veleja com o tático fazendo a trimagem da vela grande e ajudando o timoneiro, mas isso acaba atrapalhando ele a olhar para a raia, para fora do barco. O ideal é que o tático ajude, sim, o timoneiro e que cumpra com a sua função de tático.

Neste evento, como eu estava na proa, vi muitas situações em que o tático estava preocupado com o timoneiro e  acabava perdendo o timing de nos posicionar na melhor rajada ou no melhor lugar entre os barcos. Por isso, os profissionais como eu, devem tentar ser o mais claro o possível nas palavras, tentando antecipar o que vai acontecer.

Essas pessoas amadoras donas de barco que velejam no leme nas regatas são chamadas de owners drivers e costumam ser pessoas super competentes e inteligentes nas suas vidas profissionais. Por isso é fácil depois de um dia de regatas discutir sobre os erros e acertos. Fazer reuniões de feedback faz parte do cotidiano deles. O que não podemos esquecer é que eles estão ali por hobbie, muitas vezes gastando uma bela grana e querendo aprender o máximo o mais rápido o possível.

Como todo esporte, a vela tem vários termos específicos e um amador às vezes não consegue entender tudo no calor da regata, na hora de uma manobra. O mesmo acontece com alguém que está entrando agora no mercado de trabalho. E como estamos no mesmo barco (literalmente), deixo  aqui algumas dicas para um melhor entrosamento da equipe>

  1. Cada membro do time deve saber exatamente qual a sua função
  2. Durante o procedimento de largada, o timoneiro deve estar recebendo informações o tempo todo para não ter dúvidas
  3. O tático deve ser claro nas palavras e explicar muito bem qual vai ser a manobra
  4. Depois da regata, conversar sobre erros e acertos

Mas a dica mais importante, que reforço aqui, é que a comunicação seja sempre a mais clara possível!

Até a próxima!

Bons ventos,

Maurício Santa Cruz

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